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Saúde de MS amplia rede hospitalar e aposta em telemedicina para descentralizar atendimento

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Estado aumenta oferta de cirurgias, leitos e medicamentos em casa e prepara nova etapa de regionalização com policlínicas e hospitais

Mato Grosso do Sul passa por uma transformação na organização da rede pública de saúde, com ampliação da participação do Estado na gestão hospitalar, expansão da telemedicina, aumento da oferta de cirurgias e leitos do Sistema Único de Saúde (SUS), entrega domiciliar de medicamentos e reforço no financiamento das unidades municipais.

A estratégia do Governo de Mato Grosso do Sul busca fortalecer a regionalização dos serviços e aproximar atendimentos especializados da população, reduzindo a necessidade de deslocamentos para a Capital e outros grandes centros.

O governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, define o processo como uma “nova arquitetura da saúde”, baseada na atuação conjunta entre Governo do Estado, municípios e iniciativa privada.

“Não se faz um projeto de saúde sem parcerias. Por isso, nosso trabalho conjunto com os municípios e a iniciativa privada. Esta nova arquitetura da saúde está avançando e precisamos consolidar este modelo, mas sabemos que temos grandes desafios pela frente que vamos enfrentar. Nosso foco é atender e cuidar das pessoas da melhor maneira possível”, afirmou.

Durante encontro com gestores e profissionais da área, realizado na quarta-feira (19), Riedel destacou a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento e melhorar a eficiência na utilização dos recursos públicos.

Uma das mudanças apontadas pelo governador é o aumento da presença direta do Estado na estrutura hospitalar. Segundo ele, Mato Grosso do Sul, que anteriormente tinha apenas um hospital sob gestão estadual, deverá chegar em breve a cinco unidades administradas pelo Governo.

“Nosso projeto da saúde é fazer com que o Estado tenha um atendimento adequado a todos os sul-mato-grossenses”, afirmou.

Telemedicina amplia acesso a especialistas

Os números apresentados pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, mostram crescimento expressivo da saúde digital no Estado.

Os atendimentos realizados por meio de telemedicina e teleassistência passaram de 21.709, em 2022, para 112.058 no ano passado. O volume representa mais de cinco vezes o registrado no início do período.

A ferramenta ganha importância diante das grandes distâncias entre os municípios sul-mato-grossenses e da concentração de determinadas especialidades nos maiores centros urbanos. Com o atendimento remoto, parte da demanda pode ser solucionada sem que o paciente precise percorrer longas distâncias.

“Vários municípios já conseguiram reduzir fila de especialidades em função deste modelo. O cidadão tem o atendimento adequado disponível. Este modelo cresce de forma substancial”, afirmou Simões.

O avanço da telemedicina integra um conjunto de medidas voltadas à redução das filas e ampliação da capacidade assistencial.

Mais de 43 mil cirurgias realizadas

Por meio do programa MS Saúde, foram realizadas 43.564 cirurgias eletivas e de alta complexidade, além de 99.497 procedimentos e 55.888 exames diagnósticos.

Outra iniciativa é o chamado Cinturão da Ortopedia, que atualmente reúne 21 hospitais para a realização de cirurgias ortopédicas. O programa conta com incentivos financeiros estaduais e já recebeu investimentos próximos de R$ 200 milhões.

A proposta é descentralizar procedimentos que anteriormente estavam concentrados em poucas unidades, utilizando hospitais de diferentes regiões para ampliar a oferta e reduzir a necessidade de deslocamento dos pacientes.

A rede também registrou aumento na quantidade de leitos do SUS. Segundo os dados apresentados pelo Governo, eram 232 leitos em 2022. Atualmente, são 664, crescimento de 186%.

O modelo de financiamento das unidades municipais também passou por mudanças. Parte dos recursos transferidos pelo Estado passou a estar vinculada à ampliação da produtividade, com contrapartidas para hospitais e serviços locais aumentarem o número de pacientes atendidos.

Medicamentos entregues na casa dos pacientes

A entrega domiciliar de medicamentos também ganhou escala nos últimos anos.

Em 2022, o serviço atendia 610 pacientes. Neste ano, o número chegou a 17.863 pessoas. Mais de 130 medicamentos podem ser encaminhados diretamente para a residência dos usuários contemplados pelo programa.

A medida busca facilitar o acesso aos tratamentos e reduzir deslocamentos, especialmente para pacientes que precisam utilizar medicamentos regularmente.

MS mantém liderança nacional em vacinação

A vacinação é outra frente apontada pelo Governo como resultado da articulação entre Estado e municípios.

Segundo os dados apresentados pela Secretaria Estadual de Saúde, Mato Grosso do Sul continua ocupando o primeiro lugar do país em cobertura vacinal.

O Estado fica responsável por logística, suporte e estratégia, enquanto os municípios atuam diretamente na aplicação das vacinas.

Para ampliar o acesso, foram criados os chamados vacimóveis, veículos utilizados para levar a imunização a bairros e municípios fora das unidades convencionais.

A estratégia também foi adaptada para regiões de acesso mais complexo, como as comunidades ribeirinhas. Nesses locais, ações como o projeto Navio levam serviços de saúde diretamente às populações que vivem nessas áreas.

Atenção Primária é o próximo desafio

Com a ampliação da cobertura, a Secretaria Estadual de Saúde aponta agora a necessidade de melhorar a qualidade e a capacidade de resolução da Atenção Primária.

Considerada a porta de entrada do cidadão no SUS, a atenção básica é responsável pelo acompanhamento contínuo dos pacientes, pela resolução de demandas de menor complexidade e pela identificação de casos que precisam ser encaminhados para especialistas ou hospitais.

Segundo Maurício Simões, Mato Grosso do Sul já possui a melhor cobertura da Atenção Primária da região Centro-Oeste. O próximo desafio é reduzir as diferenças na qualidade dos serviços oferecidos entre municípios e unidades.

“Temos hoje no Centro-Oeste a melhor cobertura, mas o maior desafio é levar qualidade, garantir que as unidades de todo o Estado tenham um padrão de atendimento e resolução”, afirmou.

O fortalecimento dessa estrutura pode contribuir para reduzir a pressão sobre pronto-atendimentos, hospitais e serviços especializados, ao permitir que mais demandas sejam resolvidas próximas à residência dos pacientes.

Novas policlínicas e mais 200 leitos

A próxima etapa da estratégia prevê novos investimentos na regionalização da saúde.

Estão programadas novas policlínicas, com oferta de consultas, exames e especialidades fora do ambiente hospitalar. Também estão previstos mais 200 leitos para os hospitais regionais de Dourados e Três Lagoas.

Outro projeto anunciado é o Hospital do Pantanal, em Corumbá, que deverá ampliar a estrutura disponível para os moradores da região oeste do Estado.

A proposta é fortalecer a rede regional para que uma parcela maior dos atendimentos de média e alta complexidade seja realizada dentro das próprias regiões, reduzindo a concentração dos serviços na Capital.

Municípios destacam parceria com o Estado

A estratégia de cooperação também foi destacada por representantes municipais durante o encontro.

Secretário municipal de Saúde de Iguatemi e presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul (Cosems-MS), Janssen Portela Galhardo ressaltou os efeitos da ampliação da rede para os municípios.

“Isso gera uma saúde mais acessível à população, mais dinâmica e entregando resultado para os 79 municípios”, afirmou.

A parceria com instituições especializadas também integra o modelo. O presidente do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, Hamilton Fernandes Alvarenga, destacou o apoio estadual à ampliação da unidade, referência no atendimento oncológico.

“O governador tem uma participação magnífica no hospital. Ele conhece o trabalho e a necessidade do investimento no tratamento contra câncer no Estado, sendo parceiro da gente de primeira hora desde o início. Sabemos que ele é sensível a esse serviço tão essencial”, afirmou.

A reorganização da saúde em Mato Grosso do Sul reúne iniciativas que vão da telemedicina à entrega domiciliar de medicamentos, passando pela ampliação de cirurgias, leitos, vacinação e estrutura hospitalar.

Os dados apresentados pelo Governo indicam uma rede mais ampla e diversificada do que a existente no início do período. O próximo desafio, segundo a própria gestão, será transformar o crescimento da estrutura em maior capacidade de resolução, reduzir as diferenças entre as regiões e fazer com que a expansão dos serviços resulte em atendimento mais próximo e eficiente para a população.

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