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Saúde da vaca no pré e pós-parto é decisiva para produtividade e rentabilidade na pecuária leiteira

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Falhas no manejo durante o período de transição podem aumentar casos de doenças metabólicas e comprometer a produção de leite

O período que antecede e sucede o parto das vacas leiteiras é considerado uma das fases mais críticas dentro da produção de leite. Conhecido como período de transição, esse intervalo exige atenção redobrada dos produtores, já que influencia diretamente a saúde dos animais, o consumo alimentar e o desempenho produtivo ao longo da lactação.

Segundo Alex Scariot, coordenador técnico da MCassab Nutrição e Saúde Animal (NSA) para bovinos de leite, a fase é marcada por intensas mudanças metabólicas e nutricionais, o que aumenta a necessidade de um manejo adequado para evitar perdas produtivas.

“O período de transição reúne diversos desafios fisiológicos para a vaca. Um manejo eficiente contribui para reduzir riscos e garantir melhores índices de desempenho durante a lactação”, explica.

Com a evolução genética dos rebanhos e o aumento da produtividade leiteira, os cuidados com bem-estar animal, nutrição e conforto passaram a ter papel ainda mais relevante nas propriedades. Especialistas apontam que vacas saudáveis e submetidas a condições adequadas de manejo apresentam melhores resultados produtivos e reprodutivos.

Entre os principais problemas observados nessa fase estão a hipocalcemia, caracterizada pela redução dos níveis de cálcio no organismo; a cetose, causada pelo déficit energético; e o deslocamento de abomaso, enfermidade que afeta o sistema digestivo dos bovinos. Essas condições podem impactar negativamente a saúde dos animais e reduzir a eficiência produtiva da fazenda.

De acordo com Scariot, o planejamento nutricional deve ir além do simples aumento da oferta de energia na dieta. O objetivo é preparar o organismo da vaca para as exigências do pós-parto, favorecendo o consumo alimentar, a saúde ruminal e o equilíbrio metabólico.

Entre as estratégias utilizadas estão as dietas aniônicas, formuladas com minerais específicos que auxiliam a adaptação do organismo às novas demandas fisiológicas. A adoção de suplementação proteica e energética também pode contribuir para minimizar os desafios enfrentados pelas vacas nesse período.

No pós-parto imediato, muitas fêmeas entram em balanço energético negativo devido à dificuldade de ingerir nutrientes suficientes para suprir a elevada demanda de produção. Nesses casos, alternativas nutricionais voltadas ao suporte metabólico podem ajudar a reduzir impactos e favorecer uma recuperação mais eficiente.

Além da alimentação, fatores relacionados ao manejo diário também exercem influência significativa sobre os resultados. A correta separação dos lotes, o espaço adequado nos cochos, o acesso permanente à água de qualidade e o controle do estresse térmico estão entre as recomendações para garantir melhores condições aos animais.

“O período de transição é relativamente curto, mas tem reflexos durante toda a lactação. Quando a vaca atravessa essa fase com saúde e conforto, as chances de alcançar altos níveis de produtividade aumentam consideravelmente”, conclui o especialista.

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