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Saneamento avança em Mato Grosso do Sul e acompanha redução de doenças na infância

Foto: Divulgação

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Estudos identificam associação entre ampliação da rede de esgoto e queda nas internações infantis, além de apontarem impactos na saúde e na educação.

A ampliação do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário é uma medida importante para prevenir doenças e proteger a saúde infantil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), crianças menores de cinco anos estão entre os grupos mais vulneráveis a enfermidades relacionadas à falta de saneamento, especialmente as doenças diarreicas.

Em Mato Grosso do Sul, estudos sobre a evolução da cobertura de esgoto e dos indicadores de saúde apontam uma associação entre a expansão dos serviços e a redução de registros de doenças e internações. As análises abrangem Campo Grande e o município de Bonito, além de um levantamento do Instituto Trata Brasil em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica, que também relaciona o acesso ao saneamento a melhores condições de vida e educação.

Campo Grande registra queda nas internações infantis

O estudo Análise dos Indicadores de Saúde Pública e Esgotamento Sanitário em Campo Grande – MS identificou avanços na cobertura de esgoto e mudanças nos indicadores de saúde entre 2003 e 2021. No período, o percentual da população atendida pelo serviço passou de 19% para 89,32%, alcançando 665.032 pessoas.

A pesquisa também registrou redução de 91% nos casos de doenças diarreicas agudas (DDA) e de 97% nas internações de crianças menores de quatro anos. Embora os indicadores de saúde sejam influenciados por outros fatores, os resultados reforçam a relevância do saneamento na prevenção de doenças.

Atualmente, a Águas Guariroba, responsável pelos serviços de água e esgoto na Capital, informa que a cobertura de esgotamento sanitário chega a 95%.

No interior, expansão da rede amplia a proteção sanitária

Nos 68 municípios do interior atendidos pela Ambiental MS Pantanal, em parceria com a Sanesul, a cobertura de esgotamento sanitário passou de aproximadamente 46% em 2021 para 81% em 2026. Segundo os dados apresentados, 36 municípios já ultrapassaram 90% de cobertura.

Uma dissertação de mestrado defendida na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) pelo diretor-executivo da Ambiental MS Pantanal, Clayton Bezerra, analisou dados de Bonito entre 2003 e 2024. O trabalho identificou que crianças de zero a nove anos representaram mais da metade das internações relacionadas às doenças analisadas durante o período.

“Os dados colocam esse grupo como o principal responsável pela demanda hospitalar relacionada às doenças de veiculação hídrica. E, apesar das oscilações anuais no número de internações, as crianças de zero a nove anos sempre lideraram os registros”, explica Bezerra.

O diretor-executivo ressalta que os efeitos da ampliação do saneamento sobre os indicadores de saúde podem levar tempo para aparecer. Entre os fatores envolvidos estão a implantação das redes, a adesão dos domicílios, o uso contínuo dos serviços e a consequente redução da exposição a riscos ambientais.

“Os períodos de maior crescimento na cobertura costumam anteceder quedas mais consistentes nas internações, indicando que os possíveis efeitos da ampliação podem demorar a aparecer”, destaca.

Saneamento também está relacionado à educação

Os benefícios do saneamento vão além da saúde. O estudo Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento no Mato Grosso do Sul, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Ex Ante Consultoria Econômica, aponta uma associação entre a falta de acesso à coleta de esgoto e maiores índices de atraso escolar.

Os resultados destacam a importância da infraestrutura sanitária para favorecer a saúde, a permanência na escola e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Investimentos com impacto nas próximas gerações

Na Capital e no interior, a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto contribui para reduzir a exposição da população a riscos sanitários e proteger os recursos hídricos.

A Aegea atua no Estado por meio da Águas Guariroba, responsável pelos serviços de água e esgoto em Campo Grande, e da Ambiental MS Pantanal, que opera os serviços de esgotamento sanitário em 68 municípios do interior, por meio de uma parceria público-privada (PPP) com a Sanesul.

Além da expansão das redes e das estruturas de tratamento, os investimentos em saneamento representam uma estratégia de prevenção de doenças e de melhoria da qualidade de vida, com efeitos importantes para as famílias e para o desenvolvimento das próximas gerações.

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