Redação Plenax – Flavia Andrade
Atendimento pré-hospitalar funciona de forma integrada; especialista explica quando acionar SAMU, Bombeiros, polícia rodoviária ou concessionária
Quando um acidente acontece em uma rodovia, é comum surgir uma dúvida: quem deve ser acionado para prestar socorro — SAMU, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária ou concessionária da estrada?
A resposta não depende simplesmente de o acidente ter ocorrido dentro ou fora da cidade. O atendimento pré-hospitalar no Brasil funciona por meio de uma rede integrada de urgência e emergência, na qual diferentes serviços podem atuar de forma complementar, de acordo com a gravidade da ocorrência, a estrutura disponível na região e a área de cobertura.
Segundo Eduardo Minuzzi, diretor-geral da SMB Gestão em Saúde, operadora do SAMU em diversas regiões do Paraná, o cidadão não precisa conhecer previamente a divisão de responsabilidades entre os serviços para solicitar ajuda.
“O cidadão não precisa conhecer toda a organização do sistema para pedir ajuda. O que realmente faz diferença é comunicar rapidamente a emergência e fornecer informações precisas sobre o local e as condições da vítima. A partir daí, a Central de Regulação identifica qual recurso deve ser mobilizado”, explica.
SAMU também pode atender em rodovias
Um dos principais equívocos é associar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) exclusivamente às ocorrências dentro das cidades.
Na prática, a atuação do serviço depende da organização da rede de atendimento de cada região. Em trechos rodoviários onde não há uma estrutura própria de atendimento pré-hospitalar, o SAMU pode ser responsável pelo resgate e pelo atendimento às vítimas.
Nas rodovias concedidas à iniciativa privada, por outro lado, é comum a existência de equipes próprias das concessionárias. Esses profissionais podem atuar em conjunto com o SAMU, Corpo de Bombeiros e forças policiais, especialmente quando a ocorrência exige diferentes tipos de intervenção.
A integração permite direcionar o recurso mais adequado para cada situação, considerando fatores como gravidade do quadro, distância, disponibilidade das equipes e necessidade de suporte avançado de vida.
O atendimento começa pelo telefone
Outra informação importante é que o socorro começa antes mesmo da chegada da ambulância.
Ao ligar para o 192, a ocorrência é recebida por uma Central de Regulação Médica. Os profissionais coletam informações sobre o acidente, avaliam a gravidade, orientam os primeiros cuidados e definem qual recurso deve ser enviado ao local.
Por isso, fornecer informações precisas pode fazer diferença no tempo de resposta.
“Uma informação aparentemente simples, como o quilômetro da rodovia, o sentido da pista, um ponto de referência ou o número de vítimas, pode reduzir significativamente o tempo necessário para localizar a ocorrência. Essa colaboração da população é parte essencial do atendimento pré-hospitalar”, destaca Eduardo.
Quem acionar em um acidente?
Em uma ocorrência rodoviária, diferentes serviços podem ser mobilizados de acordo com as características da situação.
O SAMU, pelo telefone 192, atua principalmente em emergências clínicas e no atendimento pré-hospitalar. Já o Corpo de Bombeiros, pelo 193, pode ser fundamental em operações de resgate, incêndios e acidentes nos quais há vítimas presas às ferragens.
A Polícia Rodoviária Federal (191) atende ocorrências em rodovias federais e também atua em situações relacionadas à segurança e à sinalização da via. A Polícia Militar (190) pode ser acionada em situações de risco imediato e ocorrências relacionadas à ordem pública.
Segundo Minuzzi, os serviços não trabalham necessariamente de maneira isolada.
“Eles operam de forma integrada e trocam informações entre si. Muitas vezes a ocorrência exige atuação conjunta, como em casos de vítima presa nas ferragens, em que os Bombeiros controlam o risco imediato enquanto a equipe médica assume os cuidados clínicos”, detalha.
Por isso, a orientação é não perder tempo tentando identificar qual serviço seria o responsável pelo trecho da rodovia. O mais importante é acionar rapidamente um serviço de emergência e informar com precisão o que aconteceu e onde está a ocorrência.
O que fazer enquanto o socorro não chega?
Quem presencia um acidente também pode contribuir para a segurança das vítimas e das equipes de emergência.
A recomendação é evitar movimentar pessoas que possam ter sofrido traumatismos, exceto quando houver risco imediato à vida, como incêndio ou possibilidade de explosão. Também é importante sinalizar a via de maneira segura, quando isso puder ser feito sem colocar outras pessoas em risco, para evitar novas colisões.
Informações como quilômetro da rodovia, sentido da pista, número de vítimas, existência de feridos presos às ferragens, incêndio ou outros riscos devem ser comunicadas ao serviço de emergência.
Em situações assim, portanto, mais importante do que escolher o número “perfeito” é pedir ajuda rapidamente e fornecer o máximo de informações possível. A partir do acionamento, os diferentes integrantes da rede podem coordenar a resposta.
Serviço
192 — SAMU: emergências clínicas e atendimento pré-hospitalar
193 — Corpo de Bombeiros: resgate, incêndios e vítimas presas em ferragens
191 — Polícia Rodoviária Federal: ocorrências em rodovias federais e segurança da via
190 — Polícia Militar: ordem pública e situações de risco imediato

