Redação Plenax – Flavia Andrade
Contaminação de matérias-primas, transporte e armazenamento do alimento estão entre os principais fatores de risco para a entrada da bactéria na cadeia produtiva
Líder mundial nas exportações de carne de frango há mais de duas décadas, o Brasil mantém um rigoroso controle sanitário para atender às exigências dos mercados internacionais. Em 2025, o país produziu mais de 15 milhões de toneladas de carne de frango, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Nesse cenário, o controle da Salmonella continua sendo um dos principais desafios para garantir a segurança dos alimentos e a competitividade do setor.
Embora muitos associem a presença da bactéria diretamente ao ambiente das granjas, especialistas alertam que a contaminação pode ocorrer muito antes da chegada das aves ao aviário.
De acordo com a coordenadora de produtos da MCassab Nutrição e Saúde Animal, Mariana Branco Rosetti, a ração representa uma das possíveis vias de entrada do patógeno na produção avícola.
“A bactéria pode chegar às aves por diferentes caminhos, inclusive pela ração, caso matérias-primas, transporte, armazenamento ou equipamentos estejam contaminados. Uma vez no trato digestório do animal, ela encontra condições para se multiplicar, comprometendo o equilíbrio da microbiota intestinal. Mesmo quando não há impactos evidentes no desempenho das aves, a presença de Salmonella nas carcaças representa um risco à segurança dos alimentos e pode gerar prejuízos econômicos, especialmente devido às exigências do mercado exportador”, explica.
Prevenção começa antes da granja
Segundo a médica-veterinária, o controle preventivo é a estratégia mais eficiente para reduzir a circulação da bactéria ao longo do ciclo produtivo.
“Quanto menor for a exposição das aves aos patógenos, menor tende a ser a pressão de infecção durante a criação. Isso contribui para preservar a saúde intestinal e diminuir as chances de multiplicação da Salmonella”, destaca.
Entre as medidas adotadas pelo setor estão o controle rigoroso da qualidade das matérias-primas, o monitoramento do transporte e armazenamento da ração, a higienização dos equipamentos e o uso de tecnologias voltadas à redução da carga microbiológica dos alimentos destinados às aves.
Tecnologia auxilia no controle sanitário
Uma das soluções disponíveis no mercado é o ProPhorce® PH101, desenvolvido pela Perstorp e distribuído pela MCassab. O produto combina ácidos orgânicos fórmico e lático com o óleo essencial cinamaldeído, atuando tanto na ração quanto no trato digestório das aves.
Segundo a empresa, essa combinação reduz a carga microbiológica do alimento e dificulta o desenvolvimento de bactérias Gram-negativas, como a Salmonella. O óleo essencial também potencializa a ação dos ácidos orgânicos ao aumentar a permeabilidade da membrana bacteriana.
Para Mariana Rosetti, tecnologias preventivas contribuem para reduzir desafios sanitários sem comprometer o desempenho zootécnico dos animais.
“Quando a pressão de patógenos diminui, o intestino permanece mais equilibrado. Isso se reflete em melhores índices produtivos, menor contaminação das carcaças e mais segurança para toda a cadeia avícola”, conclui.
O controle da Salmonella permanece como um dos pilares da biosseguridade na avicultura brasileira, especialmente em um setor que abastece o mercado interno e exporta para mais de 150 países, onde a qualidade sanitária é um dos principais requisitos para acesso aos mercados internacionais.

