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Sala do Migrante ajuda estrangeiros a reconstruir a vida e conquistar espaço no mercado de trabalho em MS

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Projeto reúne acolhimento, ensino de português e qualificação profissional; em pouco mais de um ano, mais de 2 mil imigrantes foram encaminhados ao mercado formal

Recomeçar a vida em um novo país envolve desafios que vão muito além da busca por emprego. Para muitos imigrantes que chegam a Mato Grosso do Sul, a falta de domínio do português, dificuldades para regularizar documentos e a ausência de moradia e renda tornam os primeiros meses ainda mais difíceis.

Em Campo Grande, a Sala do Migrante tem atuado justamente nesse processo de acolhimento e inserção social e profissional. Coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a iniciativa conta com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) e de outras instituições parceiras.

O espaço concentra serviços de acolhimento, regularização documental e encaminhamento para oportunidades de trabalho. Em pouco mais de um ano de funcionamento, mais de 2 mil pessoas foram encaminhadas ao mercado de trabalho formal, segundo informações do projeto.

Português é caminho para autonomia

Para quem chega ao Brasil sem dominar o idioma, aprender português representa uma das principais etapas para conquistar autonomia e ampliar as possibilidades de inserção profissional.

A venezuelana Luisany Alexandra Reveron Gragirena participou do curso de Português Técnico e Comunicação para Imigrantes, oferecido pelo Senai. Com 60 horas de duração, a formação foi realizada em uma sala estruturada especialmente para o projeto na sede da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, em Campo Grande.

“Decidi estudar português porque sabia que a língua é a chave para me integrar de verdade à sociedade. Hoje tenho autonomia para resolver meus documentos, me comunicar no dia a dia e ir a qualquer lugar sem medo”, relatou.

O haitiano Smith Bien Aime também participou da formação e destacou a maneira como o conteúdo foi apresentado aos alunos.

“A língua virou algo palpável. A gramática foi bem explicada e todos conseguiam acompanhar. Para nós, o curso foi um sucesso total”, avaliou.

Além do ensino da língua, o curso abordou aspectos da cultura brasileira, serviços públicos e comunicação voltada ao ambiente profissional.

Para a professora Maria Rosana Rodrigues Pinto Gama, o envolvimento dos alunos foi um dos destaques da experiência.

“O respeito e o interesse dos estudantes em aprender português, além da gratidão pela forma como foram acolhidos no Brasil, ficaram evidentes durante todo o curso. Foi uma experiência pedagógica extremamente gratificante”, ressaltou.

A venezuelana Maizmell Teresa Hernandez Rodriguez também ressaltou o acolhimento recebido durante as aulas.

“Estou muito agradecida pelo tempo investido em nos ensinar a língua portuguesa. Foi um trabalho feito com amor, paciência e dedicação”, declarou.

Liliana Josefina Alvarez Maestre, também venezuelana, destacou a importância da comunicação para quem chega a um novo país.

“Como estrangeiro, é necessário se comunicar, e ao mesmo tempo é frustrante quando não conseguimos. Graças a esse projeto, nós estamos sendo muito ajudados. Cada aula foi maravilhosa. Que iniciativas como essa continuem”, afirmou.

Acolhimento aliado ao mercado de trabalho

Segundo o superintendente regional do Trabalho em Mato Grosso do Sul, Alexandre Cantero, a criação da iniciativa partiu também da identificação de uma demanda do mercado de trabalho. De acordo com ele, havia vagas disponíveis no Estado ao mesmo tempo em que imigrantes buscavam oportunidades para reconstruir suas trajetórias.

“Estamos levando cidadania para quem está chegando ao Estado e, ao mesmo tempo, possibilitando o crescimento sustentável do setor produtivo com trabalho formal e direitos garantidos”, afirmou.

O atendimento também é acompanhado por representantes de entidades que atuam diretamente com as comunidades de imigrantes. A presidente da Associação Venezuelana em Campo Grande, Mirtha Carpio, e Junel Ilora, da associação dos haitianos, relatam que parte dos estrangeiros chega à capital após longas jornadas e em condições de vulnerabilidade.

“Muitas pessoas deixam para trás suas casas, suas famílias e suas carreiras. Algumas chegam apenas com a roupa do corpo. Por isso, ter um local que ofereça acolhimento, documentação, orientação profissional e qualificação faz toda a diferença”, afirmou Mirtha.

Novos cursos estão previstos

A Sala do Migrante também conta com a participação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados do Estado de Mato Grosso do Sul (Sicadems), entre outras instituições.

Para o presidente do Sicadems, Régis Comarella, as ações de qualificação podem contribuir para que os imigrantes conquistem maior autonomia no país.

“Mais do que capacitar trabalhadores, a iniciativa busca oferecer condições para que homens e mulheres que deixaram seus países de origem possam reconstruir suas vidas com autonomia, dignidade e perspectivas de futuro”, afirmou.

A próxima formação prevista pelo Senai será o curso de Segurança no Trabalho e Prevenção, com carga horária de 16 horas.

A iniciativa pretende ampliar a preparação dos participantes para o mercado e facilitar o acesso a oportunidades em setores que demandam trabalhadores qualificados e que seguem em expansão em Mato Grosso do Sul.

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