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Safra de maçã avança em produtividade e qualidade com foco em manejo fitossanitário e inovação tecnológica

Foto: Reprodução

Redação Plenax – Flavia Andrade

Com produção concentrada em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a cultura da maçã vive um momento de destaque no Brasil, impulsionada pela elevada produtividade, pela qualidade dos frutos e pela adoção crescente de tecnologias voltadas à sanidade dos pomares e à rentabilidade do agricultor.

Entre as frutas mais consumidas no país, a maçã apresentou resultados expressivos na última safra. De acordo com dados da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), a colheita do ciclo 2024/25 superou 700 mil toneladas, enquanto a estimativa para a safra 2025/26 é de 876,3 mil toneladas. Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram cerca de 97% da produção nacional.

Além do aumento no volume, especialistas e produtores apontam esta como uma das melhores safras dos últimos anos em termos de qualidade. Os frutos apresentaram tamanho médio superior, coloração intensa e alto teor de doçura, fatores que elevam o valor comercial tanto no mercado interno quanto nas exportações.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil figura entre os 12 maiores produtores de maçã do mundo e, nas últimas décadas, deixou de ser importador para se tornar exportador da fruta para mais de 40 países. As cultivares Gala e Fuji predominam nos pomares brasileiros, atendendo às exigências dos mercados mais rigorosos e reforçando a reputação do país como produtor de frutas de alta qualidade.

Atualmente, o Brasil conta com mais de 33 mil hectares de pomares de maçã, com potencial produtivo estimado em até 1,35 milhão de toneladas. No consumo interno, a produção nacional é dominante: a cada dez maçãs consumidas no país, nove são cultivadas no Brasil. Para manter esse desempenho, no entanto, o setor aposta em manejo técnico, inovação e estratégias eficazes de controle fitossanitário.

De acordo com o engenheiro agrônomo de desenvolvimento de mercado da IHARA, Rudimar Spannemberg, o controle da sarna-da-macieira segue como um dos principais desafios da cultura. Considerada uma das doenças mais severas do cultivo, a sarna pode comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos frutos quando não manejada adequadamente. “A evolução da cultura da maçã está diretamente ligada à incorporação de tecnologia japonesa, especialmente no desenvolvimento de soluções fitossanitárias de alta precisão, com foco preventivo e na qualidade do fruto”, afirma.

Tecnologia fortalece o manejo da sarna

Causada pelo fungo Venturia inaequalis, a sarna-da-macieira é mais comum em regiões de clima frio e pode provocar perdas severas em anos de alta incidência. A doença atinge folhas, ramos, flores, pedúnculos e frutos, causando manchas, deformações, rachaduras e queda precoce da produção.

Como apenas folhas novas são suscetíveis à infecção, o manejo preventivo é essencial desde o início da brotação. Nesse contexto, a IHARA lançou em 2025 o fungicida MIGIWA, desenvolvido para oferecer alto nível de controle da sarna, inclusive nos períodos mais críticos. O produto se destaca pela seletividade, sem provocar russeting — alteração na casca que compromete o padrão comercial — e pelo controle prolongado, mesmo sob condições climáticas adversas.

Ensaios realizados em pomares com histórico da doença indicaram eficiência de até 99,8% no controle da sarna em folhas e frutos. Segundo Spannemberg, o produto integra um novo grupo químico, contribuindo para estratégias de manejo que reduzem o risco de resistência, sem causar fitotoxicidade.

Reguladores de crescimento ganham espaço nos pomares

Outra ferramenta que vem ganhando relevância é o uso de reguladores de crescimento, que permitem ajustes precisos no desenvolvimento das plantas. A tecnologia favorece o equilíbrio vegetativo, melhora a arquitetura da macieira, aumenta a incidência de luz solar e contribui para frutos mais uniformes, com maior calibre e melhor coloração.

Além disso, o manejo com fitoreguladores pode reduzir significativamente os custos com poda e operações manuais, além de aumentar a produtividade em até 30%, segundo especialistas. “Quando o crescimento vegetativo é controlado, a planta direciona mais energia e nutrientes para a frutificação, resultando em maior qualidade e menor incidência de doenças”, explica Spannemberg.

Nesse cenário, o regulador de crescimento VIVIFUL SC, da IHARA, tem sido utilizado para promover o equilíbrio fisiológico das plantas, com ganhos expressivos em produtividade e valor comercial dos frutos em diferentes espécies de clima temperado, incluindo a macieira.

Monitoramento de pragas é estratégico para a próxima safra

O manejo integrado de pragas também exige atenção redobrada. Espécies como a mariposa-oriental (Grapholita molesta), a lagarta-enroladeira-da-maçã (Bonagota salubricola) e a mosca-das-frutas sul-americana (Anastrepha fraterculus) tendem a apresentar maior pressão na safra 2025/26, especialmente devido à antecipação da emergência de insetos adultos observada nos últimos ciclos.

Diante desse cenário, o uso de inseticidas modernos e de amplo espectro tem sido uma estratégia importante. Desenvolvido para a hortifruticultura, o ELEITTO se destaca pelo efeito de choque, longo período residual e baixo intervalo de segurança, permitindo aplicações próximas à colheita e atendendo aos limites máximos de resíduos exigidos pelos mercados internacionais.

Com perspectivas positivas para os próximos ciclos, a cultura da maçã segue avançando no Brasil, sustentada pela combinação de manejo técnico, inovação e soluções que preservam o potencial produtivo, fortalecem a competitividade do setor e garantem sustentabilidade aos produtores.

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