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Robótica transforma sala de aula e leva tecnologia a estudantes da rede estadual de MS

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Projetos em Dourados e Aquidauana mostram como programação, sensores e montagem de robôs estão sendo incorporados ao ensino fundamental

Para Sidney Matheus, a tecnologia deixou de estar apenas nas telas e nos livros. Ela passou a ocupar espaço sobre a mesa da sala de aula, entre peças, sensores, motores e comandos de programação. Aluno do 9º ano da Escola Estadual Floriano Viegas Machado, em Dourados, ele descobriu na robótica uma forma diferente de aprender e, principalmente, de colocar ideias em prática.

“A gente começa montando e acaba criando um robô. Ele passa a se movimentar de acordo com os comandos programados e é como se ganhasse vida”, conta.

O primeiro contato de Sidney com a robótica aconteceu sem grandes expectativas, mas rapidamente mudou a maneira como ele passou a enxergar conteúdos relacionados à matemática, programação e tecnologia. Em vez de apenas acompanhar conceitos, o estudante passou a testar comandos, encaixar peças, trabalhar com sensores e observar, na prática, o resultado de cada instrução dada à máquina.

Experiências como essa passaram a fazer parte da rotina de escolas da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul com a implantação da robótica educacional, iniciada em 2022 e ampliada nos anos seguintes. A iniciativa integra a estratégia de Educação Digital do Estado e busca inserir ferramentas tecnológicas no processo de aprendizagem desde a educação básica.

Os kits utilizados pelos estudantes são compostos por peças de encaixe, motores, sensores, baterias e equipamentos programáveis. Com a orientação dos professores, os alunos podem construir estruturas, programar movimentos e desenvolver projetos que relacionam diferentes áreas do conhecimento.

Mais do que disponibilizar equipamentos, a proposta é incorporar a tecnologia à rotina pedagógica. Segundo o governador Eduardo Riedel, a mudança no ambiente de aprendizagem pode despertar o interesse dos estudantes e ampliar o contato com áreas que muitas vezes parecem distantes da realidade da escola pública.

“Ao transformar o ambiente de aprendizagem, a iniciativa desperta o interesse dos estudantes pelas disciplinas e cria novas perspectivas para quem antes via a tecnologia como algo distante da realidade da escola pública”, afirma.

Em Aquidauana, robótica chega aos alunos do ensino fundamental

A quase 300 quilômetros de Dourados, estudantes da Escola Estadual Cel. José Alves Ribeiro, em Aquidauana, começaram neste ano a experimentar a robótica em sala de aula.

A chegada da tecnologia aos laboratórios da escola abriu espaço para uma experiência inédita: em menos de dois meses de atividades, alunos do 5º ano do Ensino Fundamental foram inscritos pela primeira vez na história da instituição na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) 2026.

Entre eles está Pietro da Rocha. Para o estudante, uma das principais mudanças foi perceber que construir e programar robôs não é uma atividade restrita a universitários ou profissionais da área.

“Antes eu achava que a robótica era matéria de faculdade e, aqui, aprendi que é coisa de quem quer aprender. Agora, o objetivo é continuar criando e desenvolvendo”, afirma.

A experiência mostra como a robótica pode ser utilizada para aproximar os estudantes de conhecimentos que ocupam espaço cada vez maior na sociedade e no mundo do trabalho. O aprendizado não está apenas no robô concluído, mas em todo o processo necessário para fazê-lo funcionar.

Os alunos precisam compreender problemas, testar possibilidades, programar comandos, identificar erros e buscar novas soluções. Nesse percurso, a tecnologia também se transforma em ferramenta para desenvolver raciocínio lógico, criatividade e capacidade de resolução de problemas.

Tecnologia dentro da escola pública

A expansão das atividades de robótica integra as ações de Educação Digital desenvolvidas pela Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul. A proposta é ampliar as possibilidades de aprendizagem por meio do contato dos estudantes com ferramentas e conhecimentos tecnológicos ainda durante a educação básica.

Para Riedel, a iniciativa também contribui para mostrar aos alunos que inovação e tecnologia podem fazer parte do cotidiano da escola pública.

“Ao aproximar a tecnologia da realidade dos estudantes, a Educação Digital amplia as possibilidades de aprendizagem e mostra que inovação também pode começar dentro da escola pública”, afirma.

Em Dourados, Sidney já percebe essa mudança no cotidiano. A tecnologia, que antes poderia parecer distante, agora está diante dele: pode ser desmontada, reconstruída, programada e testada.

E, quando os comandos finalmente funcionam, também pode ganhar movimento.

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