Redação Plenax – Flavia Andrade
Expansão do crédito fortalece pequenos negócios, agricultura familiar e empreendedorismo em estados da região
Os investimentos realizados por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) mais que dobraram nos últimos anos e alcançaram R$ 14,6 bilhões em 2026. O volume representa um crescimento expressivo em relação aos R$ 6 bilhões registrados em 2011, ano da recriação da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).
Os números foram apresentados durante o Fórum Regional de Integração e Desenvolvimento do Centro-Oeste, realizado nesta quarta-feira (10), reunindo representantes do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), da Sudeco, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
Segundo o secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do MIDR, Eduardo Tavares, a ampliação dos recursos tem sido acompanhada pela criação de novas modalidades de financiamento voltadas à inclusão produtiva e à redução das desigualdades regionais.
“Os principais avanços econômicos e sociais observados no Centro-Oeste nos últimos anos estão ligados à ampliação dos instrumentos de crédito e ao fortalecimento das políticas de desenvolvimento regional”, afirmou.
Crédito chega a pequenos empreendedores e agricultores familiares
Entre as iniciativas destacadas durante o evento está a expansão do Microcrédito Produtivo Orientado (MPO), conhecido como “Microcrédito Pertinho da Gente”, voltado principalmente para agricultores familiares e pequenos empreendedores.
De acordo com o MIDR, até 2023 não havia operações estruturadas de microcrédito financiadas pelos fundos constitucionais na região. Apenas no último ano, mais de 3 mil famílias foram atendidas por meio da modalidade, movimentando cerca de R$ 42 milhões.
A estratégia busca ampliar o acesso ao crédito para produtores que tradicionalmente enfrentam dificuldades para obter financiamento junto ao sistema financeiro convencional.
Novas linhas ampliam alcance do fundo
A superintendente da Sudeco, Luciana Barros, destacou que a modernização do FCO permitiu a criação de linhas específicas para diferentes perfis de empreendedores.
Entre as modalidades implantadas nos últimos anos estão:
FCO Mulheres Empreendedoras;
FCO Pantanal e Cerrado;
FCO Armazenagem;
FCO Quilombo;
FCO Jovens Empreendedores;
FCO Turismo Agroecológico.
Segundo a gestora, os micro e pequenos negócios concentram atualmente cerca de 76% dos recursos liberados pelo fundo.
“Não existe política pública de desenvolvimento sem instrumentos de financiamento. O FCO tem se adaptado às necessidades da população e dos empreendedores da região”, destacou.
Linha para mulheres já movimentou R$ 5 bilhões
Uma das modalidades que mais se destacam é o FCO Mulheres Empreendedoras. Criada em 2023, a linha já acumulou aproximadamente R$ 5 bilhões em financiamentos contratados.
A gerente-geral da Unidade de Estratégia Governo do Banco do Brasil, Michele Alencar, ressaltou que os recursos têm contribuído para a expansão de negócios liderados por mulheres e para a geração de emprego e renda.
“É uma linha relativamente recente e que já apresenta resultados expressivos, ampliando oportunidades para empreendedoras em toda a região”, afirmou.
FDCO impulsiona grandes projetos
Além do FCO, outro instrumento apontado como estratégico para o desenvolvimento regional é o Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO).
Entre 2014 e 2025, o fundo registrou investimentos de aproximadamente R$ 3 bilhões, que contribuíram para viabilizar mais de R$ 15 bilhões em novos empreendimentos na região.
Representando a Caixa Econômica Federal, o superintendente de Rede, Danilo Tangerino, destacou que os recursos têm apoiado projetos estruturantes e investimentos de grande porte alinhados às estratégias de crescimento econômico do Centro-Oeste.
Com a ampliação das linhas de crédito e o fortalecimento dos mecanismos de financiamento, a expectativa do governo é ampliar o apoio ao empreendedorismo, à produção rural e aos investimentos em infraestrutura, consolidando o Centro-Oeste como uma das regiões mais dinâmicas da economia brasileira.

