Redação Plenax – Flavia Andrade
Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028; urologista explica as diferenças entre o crescimento benigno da glândula e a doença
O aumento da próstata é uma condição comum com o avanço da idade, mas ainda gera dúvidas e preocupação entre os homens, especialmente quando o assunto é câncer. Embora as duas condições afetem a mesma glândula e possam provocar sintomas semelhantes, a hiperplasia prostática benigna (HPB), conhecida como próstata aumentada, não é câncer e não significa que o homem desenvolverá necessariamente um tumor maligno.
A diferença entre as duas condições ganha destaque durante o Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde masculina e à prevenção do câncer de próstata. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 77.920 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. O câncer de próstata representa 30,5% dos casos de câncer entre os homens, excluídos os tumores de pele não melanoma, e permanece como o tipo mais incidente nesse grupo.
De acordo com Caio Cesar Cintra, urologista dos Hospitais São Camilo de São Paulo, compreender a diferença entre as duas condições é importante para evitar confusões e buscar avaliação adequada.
“A próstata pode aumentar de tamanho com o envelhecimento, e isso não significa que o homem tenha câncer. A hiperplasia prostática benigna é um crescimento benigno da glândula, enquanto o câncer acontece quando as células passam a se multiplicar de forma descontrolada. São condições diferentes, que precisam ser avaliadas individualmente”, explica.
Próstata aumentada e câncer: quais são as diferenças?
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga e ao redor de parte da uretra, canal por onde a urina passa. Com o envelhecimento, ela pode aumentar de tamanho, condição conhecida como hiperplasia prostática benigna (HPB). Esse crescimento pode comprimir a uretra e dificultar a passagem da urina.
Entre os sintomas mais comuns da próstata aumentada estão a necessidade de urinar várias vezes ao longo do dia ou durante a noite, o jato urinário fraco, a dificuldade para iniciar a micção e a sensação de que a bexiga não esvazia completamente.
Já o câncer de próstata ocorre quando células da glândula desenvolvem alterações malignas. Em fases iniciais, a doença pode não apresentar sintomas. Quando surgem manifestações urinárias, elas podem ser semelhantes às provocadas pela HPB. No caso do câncer, esses sintomas geralmente estão associados a uma doença localmente avançada, o que reforça a importância da avaliação médica para diferenciar as condições.
“Um dos pontos mais importantes é entender que os sintomas urinários, sozinhos, não permitem diferenciar uma próstata aumentada de um câncer. Além disso, o câncer de próstata pode evoluir sem provocar sinais perceptíveis no início. Por isso, a ausência de sintomas não deve ser interpretada como garantia de que está tudo bem”, alerta o urologista.
A investigação do câncer de próstata considera diferentes fatores, como avaliação clínica, histórico de saúde, exame físico e exames complementares. Entre eles está a dosagem do antígeno prostático específico (PSA), solicitada conforme a indicação médica. O resultado, isoladamente, não confirma nem descarta a presença de câncer, pois seus níveis também podem se alterar em condições benignas.
“É importante que o homem não espere sentir dor ou perceber uma dificuldade importante para urinar para procurar orientação. A avaliação permite entender o que está acontecendo, identificar possíveis fatores de risco e definir se há necessidade de exames adicionais. Cada caso deve ser analisado de acordo com a idade, o histórico familiar e as condições de saúde”, orienta o urologista.
Idade e histórico familiar estão entre os fatores de risco
A idade é um dos principais fatores de risco para o câncer de próstata. Ter pai ou irmão diagnosticado com a doença, especialmente antes dos 60 anos, também merece atenção, segundo a oncologista Erika Simplício, dos Hospitais São Camilo de São Paulo. Embora esses fatores aumentem o risco, a doença também pode ocorrer em homens sem histórico familiar conhecido.
“Novembro Azul é uma oportunidade para lembrar que a saúde masculina precisa de atenção durante todo o ano, e que o homem, assim como as mulheres fazem, precisa de exames e avaliações periódicas. A consulta urológica muitas vezes é uma oportunidade de avaliar as condições da saúde masculina como um todo, uma vez que o indivíduo do sexo masculino não é só a próstata. O mais importante é não confundir próstata aumentada com câncer, não ignorar mudanças persistentes na urina e conversar com o urologista sobre o histórico de saúde e a necessidade de investigação”, conclui a oncologista.
Hospitais São Camilo apresentam indicadores de atendimento a pacientes com câncer de próstata
A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo conta com uma Linha de Cuidado do Câncer de Próstata, que reúne equipe multiprofissional, tecnologia avançada, protocolos de segurança e acompanhamento dos pacientes por três anos.
Um estudo do Departamento de Informações Clínicas e DRG (Diagnosis Related Groups, ou Grupos de Diagnósticos Relacionados) avaliou pacientes atendidos entre 2022 e 2026 e identificou resultados favoráveis. A permanência média de internação foi de 2,1 dias, abaixo dos 2,2 dias previstos pelo DRG Brasil. Já o percentual de óbitos ficou em 0,6%, inferior ao referencial de 1,02% para o perfil analisado.
A qualidade de vida dos pacientes alcançou 72,5 pontos, acima da média de 53,67% informada pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).
Os pacientes avaliados apresentavam histórico de comorbidades. A mais frequente era hipertensão, registrada em 15,5% dos casos, seguida por diabetes (7,5%) e doença cardíaca (2%). Doenças renais, pulmonares, do sistema nervoso central, depressão e outras condições apareceram em proporções inferiores a 1%.
Entre os pacientes avaliados, 67,6% foram submetidos à cirurgia robótica e 31,6% à cirurgia laparoscópica.

