Redação Plenax – Flavia Andrade
Estado registra crescimento de 115% na colheita da fruta em quatro anos e consolida a Rota dos Pirineus como novo polo da vitivinicultura brasileira.
A produção de uvas em Goiás mais que dobrou nos últimos quatro anos, impulsionando o desenvolvimento da vitivinicultura e fortalecendo o turismo gastronômico no estado. Dados do levantamento Panorama da Viticultura no Brasil (2020-2024), da Embrapa, mostram que a produção passou de 1.516 toneladas, em 2020, para 3.264 toneladas em 2024.
Embora os números ainda estejam distantes dos registrados pelo Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, o avanço representa um marco para o Cerrado brasileiro, onde o cultivo da videira era considerado inviável até poucas décadas atrás.
Segundo a Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), Goiás já responde por cerca de 7% da produção nacional de vinhos.
Tecnologia permitiu expansão da viticultura
O crescimento da produção no Centro-Oeste foi possível graças ao desenvolvimento da técnica conhecida como poda dupla, que altera o ciclo natural da videira e permite que a colheita ocorra durante o inverno, período mais favorável para a produção de uvas destinadas à elaboração de vinhos de qualidade.
A inovação ampliou a produção brasileira, que atualmente alcança cerca de 1,8 milhão de toneladas de uva por ano, e abriu espaço para o cultivo em regiões de clima tropical, como o Cerrado goiano.
Hoje, além de municípios como Paraúna, Hidrolândia e cidades do entorno do Distrito Federal, a Rota dos Pirineus desponta como o principal polo da vitivinicultura em Goiás.
Rota dos Pirineus reúne vinícolas e turismo gastronômico
Formada pelos municípios de Pirenópolis, Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás, a Rota dos Pirineus reúne atualmente nove vinícolas voltadas à produção de vinhos finos.
A região também se destaca pela produção artesanal de queijos, criando um roteiro gastronômico que combina degustações, visitas guiadas às propriedades e experiências ligadas ao enoturismo.
Além da produção de vinhos, o cenário de serras, cachoeiras e clima mais ameno tornou-se um importante atrativo turístico, consolidando o chamado Corredor de Vinícolas do Centro-Oeste.
Turismo impulsiona novos empreendimentos
O fortalecimento da vitivinicultura vem acompanhado do crescimento do turismo regional. Segundo dados do setor, a Rota dos Pirineus recebe cerca de 80 mil visitantes por mês na baixa temporada e até 120 mil durante os períodos de maior movimento.
O aumento da procura tem estimulado investimentos em hospedagem, locação por temporada e empreendimentos imobiliários voltados tanto para turistas quanto para pessoas que buscam uma segunda residência na região.
Entre os projetos em desenvolvimento está o condomínio Salto Imperial, localizado próximo ao Salto Corumbá e a cerca de 15 minutos de Pirenópolis.
De acordo com os responsáveis pelo empreendimento, a primeira etapa registrou 93% dos lotes comercializados após o lançamento, e uma nova fase já está sendo colocada no mercado.
Cresce interesse por qualidade de vida
Além do turismo, o avanço do trabalho remoto também tem contribuído para o aumento da procura por imóveis na região.
Segundo os desenvolvedores do projeto, profissionais que atuam em áreas como tecnologia da informação estão entre os compradores interessados em residências voltadas à integração com a natureza, buscando conciliar qualidade de vida e flexibilidade no trabalho.
Com infraestrutura de lazer, serviços de gestão residencial e transporte para atrações turísticas e vinícolas da região, os novos empreendimentos refletem uma tendência de valorização do interior goiano, impulsionada pelo crescimento da produção de vinhos e pelo fortalecimento do turismo de experiência.

