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Produção de sementes de ruziziensis despenca 55% e acende alerta para a safra 2025/26

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Queda histórica na área destinada à produção da forrageira pode reduzir oferta e elevar disputa por sementes de qualidade nos próximos anos

Uma das espécies mais utilizadas na agricultura brasileira para formação de palhada, recuperação de solos e integração lavoura-pecuária, a Brachiaria ruziziensis entra em uma nova fase de mercado. Dados do Sistema de Gestão da Fiscalização (SIGEF), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apontam uma redução de 54,69% na área destinada à produção de sementes da forrageira para a safra 2025/26.

A área registrada caiu de 121.260 hectares na safra 2024/25 para 54.948 hectares na atual temporada, uma retração de mais de 66 mil hectares — a maior já observada nos últimos anos para a espécie.

O cenário acende um sinal de alerta para produtores rurais, distribuidores e demais integrantes da cadeia produtiva, que podem enfrentar uma oferta mais limitada de sementes diante da manutenção da demanda por sistemas sustentáveis de produção.

Espécie ganhou papel estratégico no campo

Ao longo das últimas décadas, a ruziziensis deixou de ser apenas uma forrageira para se consolidar como uma importante aliada da agricultura moderna. Sua utilização é amplamente difundida em sistemas de plantio direto e integração lavoura-pecuária, graças à capacidade de produzir grande volume de palhada, proteger o solo e melhorar a ciclagem de nutrientes.

Além de contribuir para a conservação da umidade e o controle da erosão, a espécie auxilia na redução da incidência de plantas daninhas e favorece a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Segundo Thiago Maschietto, CEO e fundador da SBS Green Seeds, os benefícios agronômicos da cultura já são amplamente reconhecidos pelos produtores.

“Os ganhos em qualidade do solo, estabilidade produtiva e rentabilidade tornaram a ruziziensis uma ferramenta estratégica dentro das propriedades rurais”, afirma.

Mercado passa por fase de ajuste

De acordo com especialistas, a forte retração observada na área de produção é resultado de um movimento de correção natural do mercado.

Nos últimos anos, a expansão acelerada das áreas destinadas à produção de sementes elevou significativamente a oferta disponível. Entre as safras 2022/23 e 2024/25, a área cultivada mais que dobrou, passando de pouco mais de 51 mil hectares para mais de 121 mil hectares.

O aumento da oferta pressionou os preços e reduziu a rentabilidade dos produtores de sementes, provocando uma redução expressiva dos investimentos na safra seguinte.

Embora a área total destinada à produção das principais forrageiras dos gêneros Brachiaria e Panicum tenha recuado cerca de 26%, a retração da ruziziensis foi muito superior à média do setor.

Oferta menor pode valorizar sementes

A expectativa do mercado é que a redução da produção impacte gradualmente a disponibilidade de sementes nos próximos ciclos agrícolas.

Com a demanda permanecendo aquecida, especialmente nos sistemas de plantio direto e integração lavoura-pecuária, especialistas acreditam que o setor poderá registrar valorização dos preços e maior concorrência pelos lotes de melhor qualidade.

O cenário não indica falta imediata do produto, mas sinaliza uma mudança importante na dinâmica de oferta e demanda após anos de abundância no mercado.

Planejamento antecipado será essencial

Diante do novo contexto, especialistas recomendam que produtores e distribuidores antecipem suas decisões de compra para a safra 2025/26.

Entre as principais orientações estão:

Planejar a aquisição de sementes com antecedência;
Priorizar fornecedores com histórico comprovado de qualidade;
Garantir lotes certificados antes do aumento da demanda;
Avaliar contratos antecipados para assegurar disponibilidade.

Segundo o setor, o planejamento passa a ser um diferencial estratégico para evitar dificuldades na obtenção de sementes de alto padrão no momento do plantio.

Qualidade ganha ainda mais importância

Com a oferta mais ajustada, a qualidade das sementes tende a ganhar peso nas decisões de compra. Especialistas ressaltam que a escolha de fornecedores confiáveis será determinante para garantir desempenho agronômico e segurança no estabelecimento das áreas.

A expectativa é que a ruziziensis continue ocupando papel central na agricultura brasileira, especialmente em sistemas que buscam produtividade aliada à conservação do solo e à sustentabilidade.

Para o mercado, a mensagem é clara: a demanda segue firme, mas a oferta será menor, exigindo mais planejamento e atenção dos produtores para as próximas safras.

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