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Preço do trigo pode subir no Brasil com queda da safra e cenário internacional adverso

Foto: Reprodução

Redação Plenax – Flavia Andrade

Produção brasileira deve recuar 26% na safra 2026/2027, enquanto guerra no Mar Negro e efeitos do El Niño aumentam as incertezas sobre oferta, qualidade e custos do cereal

O mercado brasileiro de trigo deve enfrentar maior pressão na safra 2026/2027. A combinação entre queda da produção nacional, problemas climáticos e instabilidade no mercado internacional pode aumentar a necessidade de importações e elevar os custos da matéria-prima para a indústria.

O alerta é do Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo (Sindustrigo), que chama atenção para os efeitos do cenário sobre toda a cadeia produtiva, incluindo os preços de alimentos como pães, massas e biscoitos.

“Temos uma combinação de fatores que exige atenção de toda a cadeia do trigo. A redução da produção brasileira ocorre justamente em um momento de maior instabilidade no mercado internacional, com impactos sobre preços, logística e disponibilidade do cereal”, afirma o presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri.

Produção brasileira deve cair 26%

Segundo o 11º Levantamento da Safra 2026/2027 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo está estimada em 5,8 milhões de toneladas, uma redução de 26% em relação à temporada anterior.

A queda representa cerca de 2 milhões de toneladas a menos. A área plantada também recuou 20,4%, para 1,92 milhão de hectares, o menor patamar registrado desde 2020.

A redução da oferta interna preocupa a indústria porque o consumo brasileiro é estimado em mais de 13 milhões de toneladas. Com uma produção doméstica menor, a dependência das importações tende a aumentar.

Clima aumenta preocupação com qualidade do trigo

Além da quantidade produzida, o Sindustrigo chama atenção para a qualidade do cereal disponível nesta safra.

No Paraná, onde as primeiras colheitas já começaram, há registros de doenças e problemas relacionados ao excesso de chuvas. No Rio Grande do Sul, as precipitações também prejudicam o desenvolvimento das lavouras.

As condições climáticas podem afetar tanto a produtividade quanto características importantes para a utilização industrial do trigo.

“A preocupação não está apenas no volume produzido, mas também na qualidade do trigo que estará disponível para a indústria”, destaca Piermartiri.

El Niño pode afetar oferta internacional

O cenário climático também preocupa fora do Brasil. Segundo o sindicato, as condições associadas ao El Niño acrescentam incertezas à oferta mundial de trigo.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a ocorrência do fenômeno, classificado como de forte intensidade. De acordo com a consultoria StoneX, há grande probabilidade de que o episódio esteja entre os mais fortes já registrados, com ápice previsto para o fim de 2026.

No Sul da América do Sul, o excesso de chuvas está entre os principais pontos de atenção.

A Argentina, importante fornecedora de trigo para o Brasil, já registra problemas relacionados à qualidade do cereal. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê redução de 19% nas exportações argentinas no ciclo 2026/2027.

Com menor disponibilidade de trigo de alta qualidade, especialmente o utilizado na panificação, compradores podem precisar buscar alternativas em mercados mais distantes, aumentando custos logísticos.

Guerra no Mar Negro pressiona mercado

A instabilidade geopolítica também interfere no mercado. A guerra no Mar Negro tem provocado impactos sobre a logística internacional do trigo, acrescentando pressão às cotações e à disponibilidade do produto.

No Brasil, os preços do cereal acompanham a volatilidade observada nas bolsas de Chicago e Kansas, referências importantes para o mercado internacional.

Com menor produção doméstica, maior dependência das importações e um ambiente externo mais instável, a matéria-prima tende a exercer maior pressão sobre os custos da indústria moageira.

Trigo mais caro pode chegar aos alimentos

O aumento dos custos do trigo pode ter reflexos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Segundo o Sindustrigo, a combinação de menor oferta nacional, necessidade de importação, dólar valorizado e preços internacionais mais pressionados pode levar a aumentos nos custos da indústria.

Parte dessa pressão pode chegar ao consumidor por meio de produtos derivados do trigo, como pães, massas e biscoitos.

“O cenário também pode repercutir sobre os preços dos produtos derivados do trigo, como pães, massas e biscoitos, diante da necessidade de repasse de parte dos custos ao longo da cadeia até o consumidor final”, alerta Piermartiri.

Para o sindicato, o comportamento da safra brasileira, a qualidade dos grãos, as condições climáticas internacionais e a evolução da guerra no Mar Negro serão fatores decisivos para definir o nível de pressão sobre o mercado nos próximos meses.

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