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Pesquisas internacionais destacam braquiária híbrida brasileira como alternativa para pecuária tropical mais eficiente

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Estudos realizados no Peru e no México apontam desempenho do capim Mavuno em solos de baixa fertilidade e durante o período seco, reforçando seu potencial para sistemas sustentáveis

Dois estudos publicados em 2026 em revistas científicas internacionais reforçam o potencial da braquiária híbrida Mavuno como alternativa para aumentar a eficiência da pecuária em regiões tropicais. As pesquisas, conduzidas no Peru e no México, destacam o bom desempenho da forrageira em condições consideradas desafiadoras para a produção, como solos de baixa fertilidade e períodos de estiagem.

Os resultados ganham relevância em um momento em que projeções climáticas para o ciclo 2026/2027 apontam elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, cenário que pode provocar alterações no regime de chuvas, temperaturas mais altas e maior pressão sobre os sistemas de produção pecuária.

Estudo no Peru aponta maior produção e capacidade de suporte

Uma das pesquisas, publicada na revista científica Open Agriculture, foi conduzida pelo Instituto Nacional de Inovação Agrária (INIA), na Amazônia peruana.

O trabalho comparou três híbridos de braquiária (Urochloa) cultivados em solos de baixa fertilidade durante cinco ciclos de avaliação. Após os primeiros cortes, o híbrido Mavuno apresentou desempenho superior na produção de matéria verde e matéria seca, além de registrar maior capacidade de suporte animal entre os materiais analisados.

Os pesquisadores também observaram maior teor de proteína na forrageira, indicando potencial para utilização em sistemas de pastejo rotacionado e modelos silvipastoris voltados à produção sustentável.

Pesquisa mexicana destaca manejo durante a seca

Outro estudo, publicado na revista Bioagro, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Guadalajara, no estado de Jalisco, no México.

A pesquisa avaliou o comportamento do Mavuno durante a estação seca, considerando diferentes períodos de rebrota e intensidades de desfolha.

Os resultados indicaram que o manejo com 10 centímetros de altura residual proporcionou melhor equilíbrio entre produtividade e qualidade nutricional da forragem.

Entre os principais achados do estudo estão:

maior teor de proteína bruta aos 30 dias de rebrota;
menores níveis de fibra detergente ácida (FDA) e fibra detergente neutra (FDN) aos 45 dias;
maior energia metabolizável;
melhores índices de digestibilidade da matéria seca.

Ao final da pesquisa, os autores concluíram que a combinação de aproximadamente 45 dias de rebrota com 10 centímetros de resíduo otimiza o aproveitamento da forrageira por ruminantes durante o período seco.

Manejo continua sendo fator decisivo

Para o engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, Tiago Penha Pontes, a realização de pesquisas independentes em diferentes países fortalece a confiabilidade dos resultados obtidos.

Segundo ele, quando estudos conduzidos em ambientes distintos chegam a conclusões semelhantes, cresce a segurança técnica sobre o comportamento da cultivar.

Pontes ressalta, porém, que o potencial produtivo da planta depende diretamente do manejo adotado.

“A escolha da cultivar é uma decisão importante, mas o manejo continua sendo determinante para transformar potencial genético em resultado no campo. Respeitar o período de rebrota, a altura de manejo e o planejamento forrageiro permite aproveitar melhor os atributos da planta, especialmente em cenários de maior instabilidade climática”, afirma.

Desafios diante das mudanças climáticas

Com a possibilidade de ocorrência do El Niño nos próximos meses, especialistas apontam que a manutenção da oferta de forragem será um dos principais desafios para a pecuária tropical.

Nesse contexto, o uso de cultivares adaptadas aliado ao manejo técnico das pastagens pode contribuir para preservar a capacidade de suporte das áreas, melhorar o aproveitamento nutricional da forragem e reduzir os impactos provocados por períodos de estresse hídrico e climático.

Os estudos reforçam que materiais genéticos desenvolvidos para ambientes tropicais vêm ganhando espaço na pesquisa internacional e podem desempenhar papel estratégico na busca por sistemas pecuários mais produtivos, resilientes e sustentáveis.

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