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Pesquisa brasileira com células-tronco busca nova alternativa para complicação grave após transplante de medula óssea

Foto: Gian Galani

Redação Plenax – Flavia Andrade

Uma pesquisa inédita desenvolvida pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) pode representar um avanço importante no tratamento da Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH) crônica, uma das complicações mais graves associadas ao transplante de medula óssea. O estudo recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e deve iniciar o atendimento aos primeiros pacientes em setembro de 2026.

Coordenada pelo Centro de Tecnologia Celular (CTC) da PUCPR, a pesquisa utiliza células-tronco mesenquimais derivadas da medula óssea para desenvolver uma nova alternativa terapêutica destinada a pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.

A DECH crônica ocorre quando células do doador passam a atacar os tecidos do receptor após o transplante, provocando inflamações e complicações que podem comprometer diversos órgãos. Além do impacto na qualidade de vida dos pacientes, a doença costuma exigir internações prolongadas e tratamentos complexos.

Para enfrentar esse desafio, os pesquisadores desenvolveram o MesenCell, um produto biológico composto por células-tronco com propriedades imunomoduladoras, capazes de atuar na regulação da resposta imunológica do organismo. Trata-se do primeiro Produto de Terapia Avançada (PTA) do país baseado em células-tronco mesenquimais voltado especificamente para o tratamento da DECH crônica.

O protocolo clínico prevê a aplicação de três doses do produto, administradas semanalmente, com acompanhamento dos pacientes durante um período de até 12 meses. A pesquisa envolverá 20 pacientes com DECH crônica resistente ao uso de corticosteroides e será conduzida em três instituições de referência no Paraná: o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Hospital Erasto Gaertner e o Hospital Nossa Senhora das Graças.

Segundo a coordenadora do estudo e responsável técnica do CTC-PUCPR, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, a proposta é transformar uma inovação científica em uma alternativa concreta para uma condição considerada de difícil manejo clínico.

A expectativa dos pesquisadores é que a terapia contribua para reduzir a inflamação sistêmica, diminuir a incidência de infecções e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Além dos benefícios clínicos, a iniciativa pode ajudar a reduzir a necessidade de internações prolongadas e o uso de tratamentos intensivos, contribuindo para aliviar a demanda sobre o sistema público de saúde.

Os resultados preliminares obtidos com um produto semelhante desenvolvido pela mesma equipe são considerados promissores. Em estudos anteriores, foi registrada taxa de resposta global de 80%, com remissão completa em metade dos pacientes tratados. Também foram observadas respostas expressivas em manifestações cutâneas, gastrointestinais e da cavidade oral associadas à doença, além da redução da necessidade de medicamentos imunossupressores.

O projeto recebeu financiamento de mais de R$ 7 milhões provenientes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa é desenvolvida em parceria com especialistas da UFPR, do Hospital Nossa Senhora das Graças e do Hospital Erasto Gaertner, reunindo equipes multidisciplinares dedicadas ao avanço das terapias celulares no Brasil.

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