Redação Plenax – Flavia Andrade
Queda na qualidade do pasto compromete ganho de peso do rebanho e pode afetar a rentabilidade das fazendas
A chegada do período de transição entre as águas e a seca acende um alerta para os pecuaristas brasileiros. Com a redução das chuvas, o capim perde qualidade nutricional e diminui o ritmo de crescimento, impactando diretamente o desempenho do rebanho e a rentabilidade das propriedades rurais.
Durante essa fase, a proteína presente no pasto pode cair de índices entre 8% e 10% para menos de 6%, enquanto o aumento da fibra reduz o aproveitamento da forragem pelos animais. O resultado é a perda de desempenho, menor ganho de peso e aumento dos custos de produção.
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cerca de 95% da produção de carne bovina no Brasil depende das pastagens, o que reforça a importância do planejamento antecipado para enfrentar o período seco.
De acordo com o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan Nutrição Animal, Bruno Marson, muitos produtores ainda deixam o manejo para a última hora, o que pode gerar prejuízos significativos.
“Entender esse momento do ciclo da pastagem é essencial para planejar o manejo e manter a produtividade. O ideal é que o planejamento estratégico seja realizado com pelo menos seis meses de antecedência”, afirma.
O especialista explica que a queda da proteína e o aumento da fibra comprometem a eficiência ruminal e dificultam o aproveitamento da alimentação disponível no pasto. Por isso, a recomendação é investir em suplementação proteica e manejo adequado das áreas de pastagem.
Entre as estratégias indicadas está o ajuste da lotação animal, reduzindo o número de cabeças por hectare para evitar desgaste excessivo do capim. O monitoramento da altura da pastagem também é considerado fundamental para garantir oferta de volumoso durante a seca.
Na parte nutricional, o uso de suplementos específicos para o período é apontado como uma das principais ferramentas para manter o desempenho do rebanho. Os produtos devem conter proteínas, vitaminas, minerais e fontes energéticas capazes de suprir as deficiências das pastagens secas.
“O momento ideal para iniciar a troca do suplemento é quando os pastos começam a amarelar. Essa mudança deve acontecer de forma gradual para garantir adaptação adequada dos animais”, orienta Marson.
A recomendação é fazer a transição alimentar ao longo de três semanas, aumentando gradualmente a quantidade do novo suplemento até a substituição completa.
Especialistas reforçam que o planejamento nutricional e o manejo correto das pastagens são essenciais para atravessar o período águas-seca sem comprometer o desenvolvimento do rebanho e a rentabilidade da atividade pecuária.

