Redação Plenax
Entre paisagens conhecidas mundialmente e histórias pouco contadas, o documentário Pantanal Negro propõe uma mudança de perspectiva: sair do cenário e focar nas pessoas que constroem o território. A produção terá pré-estreia durante a 10ª edição do Salão do Turismo, em Fortaleza (CE), na próxima quinta-feira (7), inserindo uma narrativa social e identitária em um dos principais palcos do setor turístico na América Latina.
Com direção artística e produção executiva de Thayná Cambará, o filme nasce como extensão de um trabalho já desenvolvido no afroturismo por meio da Bela Oyá Pantanal. A proposta é ampliar o entendimento sobre o Pantanal, destacando a presença negra, as comunidades quilombolas e os povos de terreiro que historicamente foram invisibilizados nas narrativas sobre a região.
A escolha do lançamento em um evento voltado ao mercado turístico não é casual. A pré-estreia se posiciona como uma intervenção simbólica ao inserir, nesse espaço, discussões sobre memória, ancestralidade e pertencimento. A produção busca evidenciar que o desenvolvimento do turismo passa necessariamente pelo reconhecimento das culturas e dos sujeitos que habitam o território.
Ao longo da narrativa, o documentário apresenta um Pantanal que vai além da paisagem natural, revelando práticas culturais, espiritualidade e modos de vida que sustentam a região. Entre os destaques está o Arraial do Banho de São João de Corumbá, reconhecido como patrimônio cultural, além da valorização das tradições afro-brasileiras presentes no cotidiano pantaneiro.
A obra também se conecta a um momento de maior visibilidade institucional. A diretora foi reconhecida na primeira edição do Prêmio Rotas Negras, reforçando o avanço do afroturismo como estratégia de desenvolvimento territorial e valorização cultural.
Mais do que um registro audiovisual, “Pantanal Negro” se apresenta como ferramenta de educação e sensibilização, propondo ao público uma reconexão com um território marcado por diversidade, história e identidade. A expectativa é ampliar o debate sobre representatividade no turismo e fortalecer narrativas que integrem cultura, memória e desenvolvimento.
O projeto conta com recursos da Lei Paulo Gustavo, com apoio do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e execução no estado via Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, além da parceria com a Pantanal Film Commission.

