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Palhaçaria hospitalar ajuda a reduzir estresse de pacientes no período pré-operatório

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Estudos apontam efeitos da humanização hospitalar sobre ansiedade e estresse antes de cirurgias; iniciativa também pode gerar impactos econômicos para instituições de saúde

A palhaçaria hospitalar vem sendo utilizada como estratégia de humanização para reduzir a ansiedade e o estresse de pacientes durante a preparação para procedimentos médicos. A atuação, baseada em escuta, interação e recursos lúdicos, busca tornar o ambiente hospitalar menos hostil e contribuir para o bem-estar dos pacientes.

No período pré-operatório, quando o medo e a tensão podem aumentar, a presença de palhaços hospitalares é apontada como uma alternativa complementar às estratégias convencionais de cuidado. Pesquisas citadas na área indicam redução de indicadores de estresse em pacientes submetidos à intervenção.

Segundo estudos mencionados no levantamento, a atuação de palhaços no pré-operatório apresentou resultados superiores ao uso de sedativos leves, como o midazolam, na redução do estresse e dos níveis de cortisol. Os trabalhos também apontam efeitos sobre a estabilidade dos sinais vitais e a recuperação dos pacientes.

Para Clerson Pacheco, especialista em palhaçaria hospitalar e criador do Dr. Miojo, a prática não se limita ao entretenimento. “A palhaçaria no hospital não é sobre fazer piada, é sobre escuta e presença. Quando entramos em um quarto ou no pré-operatório, mudamos o foco da dor para a leveza”, afirma.

Humanização também pode gerar impacto econômico

Além dos possíveis benefícios clínicos, a humanização hospitalar vem sendo analisada sob a perspectiva econômica. Estudos de valoração social citados no levantamento, realizados com apoio de instituições como o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), apontam que cada R$ 1 investido em iniciativas de arte e humanização hospitalar pode gerar R$ 2,61 em benefícios sociais e econômicos.

O retorno estaria relacionado a fatores como redução do tempo de internação, menor necessidade de medicamentos complementares e melhor utilização dos recursos hospitalares.

A proposta, portanto, amplia a discussão sobre o papel da humanização nos serviços de saúde. Para Clerson, os resultados econômicos ajudam a demonstrar que iniciativas desse tipo podem ser consideradas parte das estratégias de cuidado. “Quando mostramos que R$ 1 investido retorna mais do que o dobro em benefício social e eficiência hospitalar, provamos que a humanização não é um custo, mas um investimento estratégico em saúde”, afirma.

Afeto como parte do cuidado

A palhaçaria hospitalar utiliza humor, criatividade e interação para estabelecer uma relação mais próxima com pacientes que enfrentam situações de vulnerabilidade. No pré-operatório, a proposta é contribuir para reduzir a tensão antes do procedimento e tornar a experiência hospitalar mais acolhedora.

Embora não substitua tratamentos médicos ou medicamentosos, a iniciativa integra um conjunto de práticas de humanização que procuram considerar também os aspectos emocionais envolvidos no processo de adoecimento e hospitalização.

Assim, a palhaçaria hospitalar deixa de ser vista apenas como entretenimento e passa a integrar a discussão sobre estratégias complementares de cuidado, bem-estar e humanização nos serviços de saúde.

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