Redação Plenax – Flavia Andrade
Estado e União ampliam aportes em infraestrutura viária e reforçam ações de manutenção preventiva para garantir segurança e mobilidade
Minas Gerais está consolidando um dos maiores ciclos de investimentos em infraestrutura rodoviária dos últimos anos, com uma carteira que ultrapassa R$ 11,8 bilhões destinados à recuperação, modernização e ampliação da malha viária estadual e federal.
Os recursos contemplam obras de pavimentação, restauração de rodovias e intervenções em Obras de Arte Especiais (OAEs), categoria que engloba pontes, viadutos e passarelas. Somente entre 2019 e 2026, o Governo de Minas Gerais prevê investimentos de aproximadamente R$ 7,1 bilhões por meio do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG).
Atualmente, a rede estadual conta com 1.731 OAEs distribuídas ao longo de cerca de 22 mil quilômetros de rodovias pavimentadas.
Na esfera federal, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) projeta investimentos de R$ 4,7 bilhões em rodovias mineiras em 2026. A malha administrada pelo órgão reúne 452 obras de arte especiais ao longo de 4.750 quilômetros de estradas, sendo que aproximadamente R$ 675 milhões serão destinados exclusivamente a serviços de manutenção.
Conservação preventiva ganha destaque
Para especialistas do setor, a ampliação dos investimentos representa um avanço importante, mas reforça a necessidade de estabelecer uma política permanente de manutenção preventiva das estruturas.
O CEO da Orguel, Sérgio Guerra, destaca que a preservação da infraestrutura deve ser tratada como prioridade estratégica pelos gestores públicos.
“Se as intervenções não forem realizadas no tempo certo, corremos o risco de perder um patrimônio construído ao longo de décadas. Hoje existem técnicas, métodos e equipamentos capazes de tornar essas obras mais seguras, eficientes e economicamente viáveis”, afirmou.
Segundo ele, a manutenção periódica reduz custos e evita a necessidade de intervenções emergenciais de grande porte.
“A manutenção precisa ser planejada e contínua. Não pode acontecer apenas após situações críticas, quando os custos aumentam e a recuperação se torna muito mais complexa”, ressaltou.
Debate reúne especialistas em Belo Horizonte
Os desafios e perspectivas para a infraestrutura brasileira foram debatidos nesta terça-feira (16), durante o evento “Infraestrutura 2027-2030: Investimentos e Desafios”, realizado em Belo Horizonte.
Promovido pela Orguel, com apoio do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), o encontro reuniu representantes do setor público, empresários e especialistas para discutir investimentos, inovação tecnológica e estratégias de conservação das estruturas viárias.
Entre os participantes esteve o engenheiro Carlos Henrique Siqueira, uma das maiores referências nacionais em engenharia de pontes e infraestrutura.
Segundo ele, o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados à cultura de manutenção preventiva.
“O Brasil não tem uma cultura consolidada de manutenção de pontes. A conservação periódica custa muito menos do que uma intervenção emergencial. Estados, municípios e União precisam compreender que essas estruturas representam um patrimônio público de enorme valor econômico e social”, afirmou.
Tecnologia reduz custos e aumenta segurança
O avanço tecnológico também tem transformado a execução de obras de construção, inspeção e recuperação de pontes e viadutos em todo o país.
Métodos tradicionais que exigiam longas interdições e grandes estruturas de apoio vêm sendo substituídos por sistemas suspensos que permitem maior produtividade e reduzem impactos no tráfego.
Entre as soluções utilizadas está o Sistema de Acesso Suspenso QuikDeck, empregado pela Orguel em obras de infraestrutura em diferentes estados brasileiros. A tecnologia permite a realização de serviços sob pontes e viadutos sem necessidade de apoio no solo, oferecendo mais segurança às equipes e reduzindo o tempo de execução das intervenções.
“O desafio da infraestrutura exige soluções que aliem segurança, produtividade e menor impacto para a população”, destacou Sérgio Guerra.
A tecnologia já foi aplicada em projetos de grande porte, como a construção da Ponte da Integração Brasil–Paraguai, a manutenção da Terceira Ponte, no Espírito Santo, e a revitalização da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, além de diversas outras obras de recuperação e construção de estruturas viárias em diferentes regiões do país.

