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Mercado eleva projeção da inflação e prevê Selic em 14% ao ano em 2026

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Redação Plenax – Flavia Andrade

Boletim Focus aponta nova alta na expectativa para o IPCA, enquanto juros devem permanecer elevados para conter a pressão inflacionária

As instituições financeiras voltaram a elevar a projeção para a inflação brasileira em 2026. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,30% para 5,33%, marcando a 15ª semana consecutiva de alta nas previsões do mercado.

O percentual segue acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Na prática, o índice deveria permanecer entre 1,5% e 4,5%.

Apesar do anúncio recente de um acordo para encerrar os conflitos no Oriente Médio, fator que pode aliviar pressões sobre combustíveis e alimentos, o mercado continua avaliando que a inflação permanecerá acima do limite desejado ao longo do ano.

Alimentos seguem pressionando os preços

Os alimentos continuam entre os principais responsáveis pela alta dos preços no país. Em maio, a inflação oficial registrou avanço de 0,58%, enquanto o IPCA acumulado em 12 meses alcançou 4,72%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para os próximos anos, as projeções também sofreram ajustes. O mercado estima inflação de 4,15% em 2027, enquanto as previsões para 2028 e 2029 permanecem em 3,7% e 3,5%, respectivamente.

Mercado vê juros elevados por mais tempo

Em relação à taxa básica de juros, a Selic, os analistas passaram a prever uma taxa de 14% ao ano ao final de 2026, acima da estimativa anterior de 13,75%.

Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir os juros em 0,25 ponto percentual na última reunião. Foi o terceiro corte consecutivo promovido pelo Banco Central.

Entre junho de 2025 e março de 2026, a taxa permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar registrado em quase duas décadas.

Segundo o Banco Central, a redução gradual dos juros ocorre em meio a um cenário de desaceleração da inflação, mas ainda cercado por incertezas relacionadas ao cenário internacional e aos efeitos dos conflitos geopolíticos sobre os preços globais.

A expectativa do mercado é que o próximo encontro do Copom, marcado para os dias 4 e 5 de agosto, promova o último corte de juros do ano.

Para os anos seguintes, as projeções indicam Selic de 12% em 2027, 10,25% em 2028 e 10% em 2029.

PIB tem leve revisão para cima

O Boletim Focus também trouxe uma pequena melhora na previsão de crescimento da economia brasileira. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,96% para 1,98%.

Para 2027, a projeção segue em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029 o mercado espera expansão de 2% ao ano.

Os números acompanham o desempenho recente da atividade econômica. No primeiro trimestre de 2026, o PIB brasileiro cresceu 1,1% em relação aos três meses anteriores e acumula alta de 2% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE.

Em 2025, a economia brasileira avançou 2,3%, impulsionada principalmente pelo agronegócio e pelo crescimento dos demais setores produtivos.

Dólar deve encerrar ano em R$ 5,20

A projeção para o câmbio permaneceu estável. O mercado financeiro estima que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,20.

Para o final de 2027, a expectativa é de que a moeda norte-americana alcance R$ 5,27.

Os dados do Focus refletem a percepção de bancos, corretoras e consultorias sobre os rumos da economia brasileira e servem como importante referência para investidores, empresas e formuladores de políticas econômicas.

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