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Mato Grosso do Sul lidera mobilidade social e aposta em educação para ampliar oportunidades

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

A história da estudante dominicana Saica Floreal ilustra um dos desafios mais importantes das políticas públicas brasileiras: transformar educação e qualificação profissional em oportunidades concretas de ascensão social. Morando em Três Lagoas após deixar a República Dominicana para viver com o pai, ela encontrou na Escola Estadual Dom Aquino Corrêa um ambiente de acolhimento e uma nova perspectiva para o futuro.

Matriculada no ensino médio integrado à formação profissionalizante, Saica afirma que a experiência ampliou seus horizontes e fortaleceu seus planos acadêmicos. O objetivo é ingressar no ensino superior, com interesse nas áreas de Medicina ou Direito, e dar continuidade à formação por meio da pós-graduação.

“Esta escola proporciona muitas alternativas pra gente”, afirma a estudante. Para ela, a qualificação profissional ainda na educação básica é uma ferramenta importante para que jovens em situação de vulnerabilidade consigam transformar expectativas em projetos de vida. “O curso profissionalizante forma no presente e prepara para o futuro”, resume.

Estado se destaca em indicadores nacionais

O cenário vivido por Saica reflete indicadores que colocam Mato Grosso do Sul entre os estados brasileiros com maior capacidade de promover mobilidade social.

De acordo com as edições mais recentes do Atlas da Mobilidade Social, o Estado figura entre os melhores colocados do país quando o critério analisado é a possibilidade de pessoas nascidas em diferentes faixas de renda melhorarem sua condição econômica ao longo da vida.

Na edição de 2026, a região Centro-Oeste apresentou a maior taxa de ascensão social do Brasil, com índice de 2,86%, desempenho em que Mato Grosso do Sul aparece como um dos protagonistas.

Outro dado relevante mostra que 21,82% das pessoas originárias da classe média conseguem alcançar, na vida adulta, o grupo dos 25% mais ricos da população. O resultado posiciona o Estado entre os cinco melhores do país nesse indicador.

Educação e qualificação no centro da estratégia

Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), pré-candidato à reeleição, os números reforçam a necessidade de transformar crescimento econômico em oportunidades concretas para mais famílias.

Segundo ele, indicadores positivos só fazem sentido quando refletem melhorias reais na vida da população.

“Para quem trabalha, paga aluguel, mantém um pequeno negócio ou sustenta os filhos, desenvolvimento só ganha sentido quando aparece na renda, na oportunidade profissional e na possibilidade de oferecer um futuro melhor à família”, afirma.

Entre as iniciativas citadas pelo governador estão o programa MS Supera, voltado à permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade no ensino superior e na educação profissional técnica, e o MS Qualifica, que oferece capacitação gratuita para aproximar trabalhadores das vagas geradas pela expansão econômica.

Desigualdades persistem entre regiões

Apesar dos avanços, especialistas alertam que as oportunidades ainda não estão distribuídas de maneira uniforme entre os municípios sul-mato-grossenses.

Produzido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Atlas da Mobilidade Social aponta diferenças significativas entre as regiões do Estado.

O economista Francis Régis Gonçalves, doutor em Desenvolvimento Regional, destaca que municípios localizados na faixa de fronteira internacional enfrentam desafios históricos relacionados à pobreza e à vulnerabilidade social.

Segundo ele, fatores como educação, mercado de trabalho, características territoriais, condições ambientais e acesso a políticas públicas influenciam diretamente as possibilidades de ascensão econômica.

“É imprescindível o olhar atento da gestão pública — prefeituras, Estado e Governo Federal — às especificidades dos municípios sul-mato-grossenses em faixa de fronteira internacional”, afirma.

Renda acima da média nacional

Outro indicador reforça o desempenho econômico do Estado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o rendimento nominal domiciliar per capita de Mato Grosso do Sul alcançou R$ 2.454 em 2025, acima da média nacional, que ficou em R$ 2.316.

No entanto, especialistas observam que a renda média não reflete integralmente a realidade de todas as famílias, já que fatores como desigualdade de renda, custo da alimentação, moradia, transporte e acesso ao crédito influenciam diretamente o orçamento doméstico.

Formação como caminho para o futuro

A aposta na educação e na qualificação profissional também inspira outros estudantes, como Estefhany Clariany, aluna de um curso técnico na área da saúde oferecido pela Escola Estadual Dom Aquino Corrêa.

Ela vê na formação profissionalizante o primeiro passo para construir uma carreira voltada ao cuidado com as pessoas.

“O conhecimento é a base de tudo”, afirma.

Liderança amplia responsabilidade

Para Eduardo Riedel, a liderança de Mato Grosso do Sul nos indicadores de mobilidade social representa um reconhecimento importante, mas também amplia os desafios para os próximos anos.

A proposta defendida pelo governador é fortalecer a integração entre desenvolvimento econômico, educação, qualificação profissional, proteção social e geração de renda, de forma que os benefícios do crescimento alcancem mais trabalhadores, empreendedores e famílias em todas as regiões do Estado.

“O desafio é fazer com que o lugar onde uma criança nasce determine cada vez menos as oportunidades que terá na vida adulta”, afirma.

As trajetórias de Saica Floreal e Estefhany Clariany ajudam a traduzir em histórias reais os indicadores que colocam Mato Grosso do Sul em posição de destaque. Para elas, a educação representa mais do que uma etapa da formação: é a ponte entre o presente e um futuro de novas possibilidades.

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