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Lula lança programa nacional contra facções e promete retomada de territórios dominados pelo crime

Foto: SEAUD/PR

Redação Plenax – Flavia Andrade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira (12), no Palácio do Planalto, em Brasília, o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, iniciativa do Governo Federal que pretende ampliar o combate às facções criminosas, milícias e grupos paramilitares em todo o país.

Durante a cerimônia, Lula assinou o decreto que institui oficialmente o programa e afirmou que a ação marca uma ofensiva direta para retomar áreas controladas pelo crime organizado.

“O ato de hoje é um sinal para a gente dizer ao crime organizado que eles, em pouco tempo, não serão mais donos de nenhum território. O território será devolvido ao povo brasileiro de cada cidade e de cada estado”, declarou o presidente.

O programa foi estruturado em quatro grandes eixos estratégicos e prevê ações integradas entre União, estados e municípios, com reforço operacional, inteligência e ampliação dos instrumentos de investigação.

Segundo Lula, o objetivo é atingir não apenas os executores dos crimes, mas também os responsáveis financeiros e os líderes das organizações criminosas.

“Muitas vezes, o responsável está no andar de cima, engravatado, tomando uísque e zombando da nossa cara. Nós chegaremos nele um dia”, afirmou.

Entre as prioridades do programa está a chamada “asfixia financeira” das facções, mirando esquemas de lavagem de dinheiro e movimentações ilícitas. Outro foco será o fortalecimento da segurança máxima nos presídios brasileiros para impedir que lideranças criminosas continuem comandando ações de dentro das penitenciárias.

O plano também prevê investimentos para qualificar investigações de homicídios e ampliar o combate ao tráfico ilegal de armas, munições e explosivos, considerado um dos principais pilares de sustentação das organizações criminosas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o controle de armas é um dos pontos centrais da estratégia nacional de segurança.

“73% das mortes violentas intencionais vêm de arma de fogo. Quanto mais a gente deixar a arma na mão da polícia, melhor será a segurança”, afirmou.

O Governo Federal informou que o programa contará com R$ 1,06 bilhão em recursos diretos já para 2026. Além disso, será criada uma linha de crédito de R$ 10 bilhões, via BNDES, destinada a estados, municípios e ao Distrito Federal para investimentos em segurança pública.

Os recursos poderão ser usados na compra de viaturas, drones, sistemas de videomonitoramento, câmeras corporais, scanners corporais, equipamentos periciais, bloqueadores de sinal e modernização de presídios.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que o programa é resultado de articulação entre diferentes áreas do governo e deve gerar impactos diretos no enfrentamento ao crime organizado.

Durante o evento, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também defendeu integração entre os poderes e os órgãos de segurança pública para combater as facções.

Lula voltou a afirmar ainda que pretende criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança no Congresso Nacional.

“O dia que o Senado aprovar a PEC da Segurança, nós criaremos o Ministério da Segurança Pública nesse país”, disse.

O lançamento do programa ocorre no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a operação Força Integrada II, mobilizando ações contra tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e facções criminosas em 16 estados.

Além disso, dados divulgados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública apontam que a Operação Renorcrim Recupera, realizada entre abril e maio, provocou prejuízo estimado em R$ 483 milhões ao crime organizado, com 909 prisões, apreensão de 110 armas de fogo e mais de 700 quilos de drogas em todo o país.

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