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Junho Verde amplia debate sobre escoliose e destaca importância do diagnóstico precoce em jovens

Foto: Reprodução

Redação Plenax – Flavia Andrade

Condição afeta milhões de brasileiros e avanços tecnológicos têm permitido tratamentos mais precisos e menos invasivos

Embora frequentemente associada apenas à postura, a escoliose tem ganhado cada vez mais atenção de profissionais de saúde e famílias devido aos impactos que pode causar na qualidade de vida de crianças e adolescentes. Neste mês de junho, período marcado pela campanha Junho Verde, dedicada à conscientização sobre a doença, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Coluna, cerca de 6 milhões de brasileiros convivem com algum grau de escoliose. A forma mais comum é a escoliose idiopática do adolescente, que geralmente surge entre os 10 e os 18 anos, período de intenso crescimento corporal.

Estudos da Scoliosis Research Society apontam que entre 2% e 4% das crianças e adolescentes apresentam esse tipo de alteração na coluna. Em muitos casos, os sinais passam despercebidos nas fases iniciais, dificultando a identificação precoce da condição.

Sinais podem ser confundidos com problemas posturais

Diferença na altura dos ombros, desalinhamento corporal, roupas que parecem ficar tortas no corpo e dores frequentes nas costas estão entre os principais indícios da escoliose.

De acordo com Pedro Gurgel, fisioterapeuta e especialista em equipamentos e dispositivos médicos, um dos maiores desafios ainda é detectar a condição antes que a curvatura evolua.

“Muitas famílias só descobrem quando a curvatura já avançou. No início, os sinais podem parecer apenas uma questão de postura ou uma fase do crescimento. O problema é que a escoliose tende a evoluir justamente durante o desenvolvimento do adolescente”, explica.

Tecnologia transforma diagnóstico e tratamento

Nos últimos anos, o avanço da tecnologia médica tem contribuído para uma abordagem mais eficiente da doença. Ferramentas como inteligência artificial, escaneamento corporal, impressão 3D e dispositivos personalizados passaram a integrar a rotina de hospitais, clínicas e centros especializados.

Esses recursos permitem acompanhar a evolução da curvatura com maior precisão e oferecem alternativas terapêuticas mais individualizadas, reduzindo a necessidade de intervenções complexas em alguns casos.

A busca por tratamentos menos invasivos também acompanha uma mudança no perfil dos pacientes e familiares, que hoje procuram diagnósticos mais rápidos, maior previsibilidade nos resultados e menor impacto na rotina escolar e social dos jovens.

Mercado cresce impulsionado pela inovação

O interesse por soluções tecnológicas também movimenta o setor de saúde. Atualmente, o mercado global de dispositivos voltados ao tratamento da coluna movimenta cerca de US$ 15 bilhões e a expectativa é que ultrapasse os US$ 20 bilhões na próxima década.

Segundo especialistas, esse crescimento é impulsionado pela demanda por tratamentos personalizados e tecnologias capazes de oferecer maior conforto e melhores resultados aos pacientes.

Casos conhecidos ajudam na conscientização

A escoliose também faz parte da trajetória de personalidades reconhecidas internacionalmente. A atriz Elizabeth Taylor enfrentou problemas relacionados à coluna durante boa parte da vida.

Outro exemplo é o do velocista jamaicano Usain Bolt, que revelou conviver com a escoliose desde a infância. Com acompanhamento especializado, fisioterapia e fortalecimento muscular, ele construiu uma das carreiras mais vitoriosas da história do atletismo.

Para especialistas, exemplos como esses ajudam a desmistificar a condição e demonstram que, com acompanhamento adequado, é possível manter qualidade de vida e desempenho em diferentes áreas.

Diagnóstico precoce faz a diferença

Médicos e profissionais da área reforçam que identificar a escoliose nos estágios iniciais amplia significativamente as possibilidades de tratamento e acompanhamento.

“Quando o diagnóstico acontece cedo, o paciente ganha tempo, alternativas terapêuticas e qualidade de vida. Em muitos casos, isso evita procedimentos mais complexos no futuro e reduz impactos emocionais justamente em uma fase muito sensível da vida”, destaca Pedro Gurgel.

A campanha Junho Verde busca justamente ampliar o conhecimento da população sobre a doença e incentivar a observação de sinais precoces, contribuindo para diagnósticos mais rápidos e melhores resultados no tratamento.

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