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Inadimplência em condomínios dispara e protestos em cartório crescem quase 1.500% em Mato Grosso do Sul

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Dívidas condominiais levadas a protesto somaram R$ 4,5 milhões em 2025; tendência de alta continua em 2026

A inadimplência em condomínios de Mato Grosso do Sul tem levado síndicos e administradoras a adotarem medidas mais rigorosas para recuperar valores em atraso. Em 2025, o número de dívidas condominiais encaminhadas para protesto em cartório saltou 1.494% em relação ao ano anterior, atingindo o maior patamar da série histórica iniciada em 2020.

Dados dos Cartórios de Protesto do Estado mostram que foram apresentados 4.050 títulos de cobrança ao longo do ano passado, contra apenas 254 registros em 2024. O valor total das dívidas também apresentou crescimento expressivo, passando de R$ 1,3 milhão para R$ 4,5 milhões, avanço de 247% em apenas um ano.

Além do aumento no volume de cobranças, os números indicam que o protesto em cartório vem se consolidando como ferramenta de recuperação financeira para os condomínios. Em 2025, cerca de 26% das dívidas apresentadas tiveram algum tipo de solução, seja por pagamento, acordo entre as partes ou cancelamento da cobrança.

Ao todo, 1.046 débitos foram regularizados, resultando na recuperação de aproximadamente R$ 883 mil.

Recuperação supera cobrança judicial

Segundo o presidente dos Cartórios de Protesto de Mato Grosso do Sul, Daniel Emílio Fontana Fries, o crescimento no uso desse mecanismo demonstra uma mudança de postura dos gestores condominiais diante da inadimplência.

“A cobrança via Cartório de Protesto se consolidou como uma alternativa eficiente para a saúde financeira dos condomínios, apresentando índices de recuperação significativamente superiores aos observados na via judicial”, destaca.

Os dados apontam que 12,12% dos pagamentos ocorreram logo nos três primeiros dias após a notificação ao devedor. Outros 12,12% foram quitados após a efetivação do protesto, enquanto uma parcela menor foi resolvida por meio de acordos firmados entre as partes.

Apesar dos resultados positivos, a maior parte das cobranças ainda permanece em aberto. Atualmente, 73,61% das dívidas protestadas continuam sem regularização, mantendo os devedores sujeitos a restrições de crédito, dificuldades para financiamentos, empréstimos e registros em sistemas de proteção ao crédito.

Tendência de alta continua em 2026

Os números mais recentes mostram que o avanço do protesto de dívidas condominiais não foi um fenômeno isolado.

Somente no primeiro trimestre de 2026, já foram encaminhados aos cartórios 921 títulos relacionados a débitos de condomínios, totalizando R$ 695 mil. Desse total, 658 protestos foram efetivados, representando uma taxa de conversão superior a 71%.

No mesmo período, 213 títulos foram solucionados, com índice de recuperação de 23,67% em quantidade e 20,5% em valores.

Para especialistas do setor, os resultados indicam uma mudança estrutural na gestão financeira dos condomínios sul-mato-grossenses, que passaram a utilizar com maior frequência o protesto como instrumento para reduzir prejuízos causados pela inadimplência.

Como funciona o protesto de dívidas condominiais

O protesto das chamadas cotas condominiais é previsto pela legislação brasileira e pode ser realizado diretamente pelos síndicos ou administradoras, sem necessidade de aprovação em assembleia.

Para efetuar o procedimento, é necessário apresentar documentos que comprovem a dívida e a legitimidade da cobrança, incluindo atas de eleição do síndico, documentos do responsável pelo envio e comprovantes dos débitos em atraso.

A cobrança é direcionada ao proprietário do imóvel, responsável legal pelo pagamento das taxas condominiais, salvo situações específicas previstas em contrato de locação.

Com o aumento da inadimplência e a busca por soluções mais rápidas do que as ações judiciais tradicionais, o protesto em cartório tem se consolidado como uma das principais ferramentas de recuperação de crédito para condomínios em Mato Grosso do Sul.

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