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Hepatites virais podem evoluir em silêncio e diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Julho Amarelo alerta para prevenção, vacinação e testagem contra os vírus que podem comprometer o fígado e provocar doenças graves

Cansaço, náuseas, falta de apetite e pele ou olhos amarelados podem parecer sintomas comuns de diferentes problemas de saúde, mas também estão entre as manifestações das hepatites virais. O problema é que, na maioria dos casos, a infecção não apresenta sinais nas fases iniciais, o que pode atrasar o diagnóstico e permitir que a doença evolua por anos sem acompanhamento.

Durante o Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento das hepatites virais, o Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), filiado à Rede Ebserh, reforça a importância da prevenção, da vacinação e da testagem.

As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem causar alterações leves, moderadas ou graves. No Brasil, os tipos A, B e C são os mais comuns. Também existem os vírus D e E, sendo a hepatite D mais frequente na Região Norte e a hepatite E menos comum no país.

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, foram registrados 826.292 casos confirmados de hepatites virais no Brasil entre 2000 e 2024.

Doença pode não apresentar sintomas

A médica residente em infectologia do HDT-UFNT/HU Brasil, Gislayne Guedes, destaca que o caráter silencioso das hepatites é um dos principais obstáculos para o diagnóstico.

“Ao apresentar sintomas, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para avaliação e realização de exames. Vale lembrar que muitas hepatites não causam sintomas, por isso a testagem também é importante”, afirma.

Quando aparecem, os sinais podem incluir cansaço, febre, mal-estar, tontura, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras e pele ou olhos amarelados.

Nas hepatites B, C e D, a infecção pode se tornar crônica e evoluir para fibrose avançada, cirrose, câncer de fígado e até necessidade de transplante.

Conheça as diferenças entre os tipos

Hepatite A: é transmitida principalmente pela via fecal-oral, por meio do consumo de água ou alimentos contaminados e pelo contato com pessoas infectadas. Na maioria dos casos, apresenta evolução benigna e autolimitada, mas pode ter formas graves, especialmente em determinadas situações. A vacinação é uma das principais formas de prevenção.

Hepatite B: pode ser transmitida por contato com sangue contaminado, relações sexuais sem preservativo e da mãe para o bebê. A infecção pode se tornar crônica e provocar cirrose e câncer hepático. O SUS oferece tratamento para controle da doença e redução do risco de complicações.

Hepatite C: a transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado. A infecção frequentemente se torna crônica, mas atualmente existem medicamentos antivirais de ação direta capazes de curar mais de 95% dos casos. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS.

Hepatite D: depende da presença do vírus da hepatite B para infectar uma pessoa. Pode ocorrer simultaneamente à infecção pelo HBV ou como uma superinfecção em quem já possui hepatite B crônica.

Hepatite E: é transmitida principalmente pela via fecal-oral e geralmente provoca uma infecção aguda e autolimitada. Em algumas situações, porém, pode evoluir de forma grave.

Prevenção começa com vacinação e cuidados

As medidas preventivas variam de acordo com o tipo de hepatite. Entre as principais recomendações estão manter a vacinação em dia, usar preservativo nas relações sexuais e não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue, como agulhas, lâminas, alicates e outros instrumentos de uso pessoal.

Também é importante verificar se procedimentos como tatuagens e piercings são realizados com materiais esterilizados. No caso da hepatite A, cuidados de higiene, saneamento e segurança no consumo de água e alimentos são fundamentais.

“Outras formas de prevenir essas infecções é usar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar objetos perfurocortantes, como agulhas, alicates e lâminas, e garantir que procedimentos como tatuagens e piercings sejam realizados com material esterilizado. Também é importante manter bons hábitos de higiene, consumir água e alimentos seguros e realizar a testagem quando houver fatores de risco”, orienta Gislayne.

Vacinas contra hepatites A e B estão disponíveis no SUS

A vacinação é uma das principais ferramentas de prevenção. Atualmente, a vacina contra hepatite A faz parte do Calendário Nacional de Vacinação para crianças aos 15 meses de idade, podendo ser aplicada até 4 anos, 11 meses e 29 dias. Também há indicações específicas para grupos de maior risco.

Já a vacina contra hepatite B está disponível gratuitamente no SUS para pessoas não vacinadas, independentemente da idade. Para crianças, a primeira dose é recomendada ao nascer, seguida pelas doses previstas no calendário. Para adultos, em regra, são três doses, conforme o histórico vacinal.

A imunização contra hepatite B também é uma forma de prevenção da hepatite D, já que o vírus D depende do HBV para infectar e se replicar.

Não existe vacina disponível contra a hepatite C. Nesse caso, a prevenção depende principalmente da redução da exposição ao sangue contaminado e da realização de testagem.

Testagem ajuda a interromper a cadeia de transmissão

Como muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas, a realização de testes tem papel importante na identificação precoce das hepatites virais.

“O tratamento depende do tipo da hepatite. Algumas melhoram apenas com medidas de suporte, enquanto outras, como as hepatites B, C e D, podem exigir acompanhamento especializado e medicamentos específicos. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e interromper a transmissão”, explica a médica.

A orientação é procurar uma unidade de saúde diante de sintomas suspeitos ou quando houver histórico de exposição ou outros fatores de risco. O diagnóstico e o acompanhamento precoces permitem iniciar o cuidado adequado e reduzir as chances de evolução para complicações graves.

O Ministério da Saúde mantém estratégias de diagnóstico, prevenção e tratamento das hepatites virais por meio do Sistema Único de Saúde, com protocolos específicos para diferentes formas da doença.

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