Redação Plenax – Flavia Andrade
A chegada do outono e a queda das temperaturas já começam a impactar diretamente a piscicultura brasileira. Com a água mais fria, os peixes reduzem o metabolismo, comem menos e apresentam queda no desempenho produtivo, cenário que preocupa produtores e exige mudanças no manejo das criações.
Segundo dados da Embrapa, a temperatura da água é um dos principais fatores que influenciam processos fisiológicos dos peixes, como digestão, respiração e reprodução. Com isso, períodos mais frios podem afetar desde o ganho de peso até a sanidade dos animais.
De acordo com Cleber Daniel Almeida, consultor técnico da área de Nutrição e Saúde Animal da MCassab, o impacto é percebido rapidamente nas propriedades.
“Com temperaturas mais baixas, o produtor precisa redobrar a atenção, porque a água fria altera o metabolismo dos peixes e prejudica diretamente o desenvolvimento dos animais”, explica.
Os peixes são classificados como animais pecilotérmicos, ou seja, a temperatura corporal acompanha a do ambiente. Quando a água esfria, ocorre redução da atividade metabólica, comprometendo digestão, absorção de nutrientes e funcionamento enzimático.
Na prática, os animais passam a se alimentar menos, ficam mais lentos e procuram regiões mais profundas dos viveiros. Também é comum que concentrem a alimentação nos horários mais quentes do dia.
Espécies bastante produzidas no Brasil, como a tilápia, já sofrem impactos negativos quando a temperatura da água fica abaixo de 23°C. O tambaqui, ainda mais sensível ao frio, pode registrar perdas produtivas em temperaturas inferiores a 25°C.
Além da redução no ganho de peso, o período mais frio favorece a desuniformidade dos lotes e piora a conversão alimentar. Outro ponto de alerta está relacionado à saúde dos peixes.
“Com a queda da temperatura, há redução da eficiência do sistema imunológico, aumentando os casos de doenças oportunistas, principalmente infecções bacterianas”, destaca Almeida.
Problemas nas brânquias e na pele também tendem a aparecer com maior frequência, especialmente em espécies originárias de regiões mais quentes, como os peixes amazônicos.
Para minimizar os impactos, especialistas recomendam ajustes na alimentação e no manejo durante os meses mais frios. A orientação é oferecer ração em quantidades adequadas, evitar sobras na água e concentrar a alimentação nos períodos de maior temperatura ao longo do dia.
O uso de rações com maior digestibilidade também pode ajudar a manter o desempenho produtivo mesmo diante das mudanças climáticas.
“Não é possível manter o mesmo manejo utilizado no verão. Adaptar a alimentação e contar com orientação técnica faz toda a diferença para atravessar esse período com mais segurança”, finaliza o especialista.

