Redação Plenax – Flavia Andrade
Decisão da Justiça inclui ainda condenações por violência doméstica, ameaças e crimes relacionados a drogas
A Justiça da Noruega condenou nesta segunda-feira (15) Marius Borg Høiby a quatro anos de prisão por estupro e outros crimes. O caso ganhou grande repercussão internacional e provocou forte desgaste para a monarquia norueguesa.
Høiby, de 29 anos, foi considerado culpado por dois estupros, além de responder por maus-tratos recorrentes contra uma ex-companheira, ameaças e infrações de trânsito. Em contrapartida, foi absolvido de outras acusações de violência sexual apresentadas durante o processo.
Filho da princesa herdeira Mette-Marit, fruto de um relacionamento anterior ao casamento com o príncipe herdeiro Haakon da Noruega, Høiby não possui funções oficiais na família real, mas sempre esteve sob atenção da imprensa do país.
Julgamento envolveu 40 acusações
O processo analisou cerca de 40 acusações e previa pena máxima de até 16 anos de prisão. Durante o julgamento, o Ministério Público pediu uma condenação de sete anos e sete meses, enquanto a defesa solicitou absolvição nos casos de estupro e uma pena reduzida para os demais crimes.
Høiby sempre negou as acusações mais graves relacionadas aos crimes sexuais, mas admitiu responsabilidade por outros delitos, incluindo lesão corporal, ameaças e transporte de drogas.
Segundo a acusação, os casos de estupro ocorreram entre 2018 e 2024, em circunstâncias nas quais as vítimas estariam incapacitadas de reagir. Um dos episódios teria acontecido na residência oficial da princesa herdeira e do príncipe Haakon.
Vida pessoal foi exposta durante o processo
O julgamento, realizado entre fevereiro e março deste ano, trouxe à tona detalhes da vida pessoal do réu, marcada pelo uso de álcool, drogas e relacionamentos conturbados.
Em depoimento à Justiça, Høiby afirmou ter buscado reconhecimento durante toda a vida por ser constantemente identificado como filho da futura rainha da Noruega.
Durante as investigações, autoridades também analisaram aparelhos eletrônicos do acusado. Segundo os investigadores, parte das provas reunidas incluía registros audiovisuais relacionados aos crimes investigados.
Caso abalou imagem da monarquia
O escândalo ganhou notoriedade em agosto de 2024, quando Høiby foi detido após denúncias de agressão contra uma companheira em Oslo. A repercussão aumentou após outras mulheres relatarem episódios de violência física e psicológica.
Embora não faça parte oficialmente da linha sucessória nem exerça funções institucionais, o caso teve impacto na imagem da família real norueguesa, uma das mais tradicionais da Europa.
Nos últimos meses, a atenção da opinião pública também se voltou para o estado de saúde da princesa Mette-Marit, que enfrenta uma doença pulmonar crônica e passou por agravamento de seu quadro clínico.
A condenação ainda pode ser alvo de recursos por parte da defesa.

