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Estudo da Unesp revela papel dos vasos sanguíneos na formação e maturação dos ossos

Crédito: Depositphotos.com

Redação Plenax – Flavia Andrade

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) revelou que células presentes nos vasos sanguíneos desempenham papel fundamental na formação e no amadurecimento dos ossos. O estudo, realizado pelo Laboratório de Bioensaios e Dinâmica Celular (LaBio), no câmpus de Botucatu, amplia a compreensão sobre a relação entre o sistema vascular e o tecido ósseo e pode contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento contra doenças como a osteoporose.

Há cerca de dez anos, pesquisadores do laboratório investigam como veias e artérias participam da constituição do tecido ósseo. Os resultados obtidos pelo grupo vêm modificando a compreensão tradicional de que os ossos possuem apenas função estrutural e de sustentação do organismo.

Células dos vasos influenciam amadurecimento ósseo

Uma das descobertas mais recentes da equipe liderada pelo biólogo Willian Fernando Zambuzzi, professor do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu, mostrou que as células musculares lisas vasculares, responsáveis por compor a parede dos vasos sanguíneos, orientam a transformação de osteoblastos em osteócitos.

O processo é essencial para a formação e manutenção do tecido ósseo. Enquanto os osteoblastos atuam na construção do osso, os osteócitos representam a fase madura dessas células e têm como função preservar a integridade da estrutura óssea ao longo da vida.

Os resultados foram publicados na revista científica Biochimica et Biophysica Acta (BBA) – Molecular Cell Research.

“Nós mostramos, de uma maneira bastante inédita, que as células vasculares de musculatura lisa têm uma função importante para promover a diferenciação de osteoblastos em osteócitos”, explicou Willian Zambuzzi.

Pesquisa amplia visão sobre funcionamento dos ossos

Segundo o pesquisador, estudos internacionais já investigavam o papel dos osteócitos, mas a relação direta entre essas células e o tecido vascular ainda era pouco explorada.

A descoberta indica que os vasos sanguíneos não atuam apenas no transporte de nutrientes e oxigênio, mas também participam da comunicação entre diferentes tecidos do organismo por meio da produção de moléculas e substâncias reguladoras.

“Se os vasos sanguíneos participam ativamente da produção do tecido ósseo, pode-se inferir que disfunções vasculares podem repercutir diretamente na qualidade do esqueleto”, afirma o coordenador do LaBio.

Resultados podem ajudar no combate à osteoporose

As descobertas também podem contribuir para explicar a relação entre doenças cardiovasculares e a perda de qualidade óssea observada principalmente em idosos.

Condições como hipertensão arterial e diabetes, que provocam alterações no sistema vascular, estão frequentemente associadas ao aumento do risco de perda de massa óssea e fraturas.

O grupo da Unesp investiga agora se alterações no processo de formação dos osteócitos podem estar relacionadas ao desenvolvimento da osteoporose, doença caracterizada pela redução progressiva da densidade dos ossos e pelo aumento da fragilidade esquelética.

Pesquisa reconhecida nacionalmente

O trabalho desenvolvido pelo LaBio também resultou na criação de um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), destinado a aprofundar o conhecimento sobre a função endócrina do tecido ósseo e estimular o desenvolvimento de novas terapias baseadas em biomateriais.

A expectativa dos pesquisadores é que o avanço dos estudos permita novas abordagens para regeneração óssea e tratamentos mais eficientes para doenças que afetam a estrutura esquelética.

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