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Estresse ameaça produção de peixes e aumenta risco de doenças nos viveiros

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Problemas na qualidade da água, falhas no manejo e alimentação inadequada podem comprometer a saúde dos animais e reduzir a produtividade

O crescimento acelerado da piscicultura brasileira tem colocado em evidência um desafio que preocupa produtores de todo o país: o estresse dos peixes. Muitas vezes silencioso, o problema pode afetar diretamente o desempenho dos animais, favorecer o surgimento de doenças e provocar prejuízos econômicos nas propriedades.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), o Brasil ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em um único ano, consolidando a atividade como uma das mais promissoras do agronegócio nacional.

Para especialistas, o avanço da produção exige atenção redobrada ao manejo e às condições de criação.

“O setor está em expansão, mas esse crescimento precisa vir acompanhado de boas práticas que garantam a saúde dos peixes. O estresse é um dos principais desafios da atividade e pode comprometer todo o sistema produtivo”, explica Cleber Daniel Almeida, consultor técnico comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal.

Qualidade da água está entre os principais fatores

Segundo o especialista, a maior parte dos episódios de estresse está relacionada às condições ambientais dos viveiros.

Baixos níveis de oxigênio dissolvido, excesso de amônia e nitrito na água, além de oscilações bruscas de temperatura e pH, estão entre os fatores que mais afetam o bem-estar dos peixes.

O problema também pode surgir durante operações de manejo, como classificação, transferência e transporte dos animais, além de situações de superlotação nos tanques, disputa por alimento e deficiências nutricionais.

Sistema imunológico fica mais vulnerável

Quando submetidos a situações de estresse, os peixes passam a direcionar energia para mecanismos de sobrevivência imediata. Se essa condição se prolonga, o organismo sofre uma série de alterações fisiológicas que enfraquecem as defesas naturais dos animais.

O resultado é uma redução da resposta imunológica e alterações em estruturas importantes de proteção, como pele, escamas, brânquias e intestino.

Esse cenário facilita a entrada e a proliferação de agentes causadores de doenças que já estão presentes no ambiente de cultivo.

Sinais de alerta

Antes mesmo do surgimento de enfermidades, os peixes costumam apresentar comportamentos que indicam problemas no ambiente.

Entre os principais sinais estão a permanência constante na superfície da água em busca de oxigênio, concentração próxima aos aeradores, nado irregular, isolamento do cardume, redução do apetite e diminuição do consumo de ração.

Em algumas espécies, também podem ocorrer alterações na coloração do corpo, que pode ficar mais escura ou pálida.

Sem correção das causas do estresse, os riscos de doenças aumentam significativamente, assim como os índices de mortalidade.

Prevenção é o melhor caminho

Especialistas destacam que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficiente para evitar perdas na piscicultura.

Monitorar constantemente a qualidade da água, controlar os níveis de oxigênio, amônia, nitrito, temperatura e pH, evitar excesso de animais nos viveiros e oferecer alimentação equilibrada são medidas consideradas essenciais para manter a saúde dos peixes.

Além disso, o planejamento das operações de manejo, o uso de equipamentos adequados e a capacitação das equipes contribuem para reduzir situações de estresse.

“O objetivo deve ser minimizar ao máximo os fatores estressantes. Quanto menor o estresse, maior será a capacidade dos peixes de manter a saúde, resistir a doenças e expressar todo o seu potencial produtivo”, ressalta Cleber Almeida.

Com a piscicultura ganhando cada vez mais espaço no agronegócio brasileiro, o manejo adequado e o monitoramento constante dos viveiros tornam-se aliados fundamentais para garantir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade da atividade.

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