Redação Plenax
Em fase de montagem, o espetáculo “Corpo Fantasma – Protótipo A” propõe um mergulho artístico que une dança, literatura e artes visuais para refletir sobre o corpo em transformação. Idealizado pelo artista sul-mato-grossense Halisson Nunes, o projeto tem estreia prevista para o primeiro semestre em Campo Grande.
A obra, provisoriamente intitulada “Corpo Sobre Penas”, parte de referências como a série “Retirantes”, de Cândido Portinari, o clássico Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e o romance Frankenstein. A proposta, no entanto, não é reproduzir essas obras, mas dialogar com suas essências para provocar novas leituras corporais e sensoriais.
Segundo Nunes, o espetáculo investiga o corpo como um espaço de tensões e coexistências, explorando temas como escassez, sobrevivência e os excessos do mundo contemporâneo. A dança surge como campo de experimentação, buscando uma linguagem que vá além da narrativa tradicional.
Processo criativo e intercâmbio artístico
A criação ganhou novos contornos a partir da parceria com o artista paulista Fernando Martins, que assina a direção artística e a trilha sonora. Com quase quatro décadas de trajetória, Martins destaca a “lentidão” como elemento central do processo criativo, em contraponto à lógica acelerada da produção contemporânea.
A pesquisa também se expande com a ida de Halisson a São Paulo, promovendo um intercâmbio que amplia as camadas da obra. Para os artistas, a mudança de território influencia diretamente a percepção e a construção do corpo em cena.
Hotel histórico vira palco do espetáculo
As apresentações estão previstas para o Hotel Gaspar, espaço histórico inaugurado em 1956 e marcado pela passagem de viajantes da antiga Ferrovia Noroeste do Brasil. Atualmente desativado, o local será reocupado simbolicamente pelo projeto, dialogando com a ideia de deslocamento presente na obra.
Acesso gratuito e ação social
O espetáculo será gratuito e contará com parceria da Central Única das Favelas, com arrecadação de alimentos e itens de higiene durante as apresentações.
Financiado pelo Fundo Municipal de Investimento à Cultura (FMIC), por meio da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande, o projeto aposta no corpo como linguagem central para provocar reflexões sobre identidade, memória e os atravessamentos da vida contemporânea.

