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Escola em tempo integral ajuda famílias a conciliar trabalho, estudos e cuidado em MS

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Modelo já atende mais de 39 mil estudantes em 213 escolas estaduais e chegou aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul

Para famílias que precisam conciliar trabalho, estudos e cuidados com os filhos, a escola em tempo integral tem se tornado uma importante aliada. É o caso da massoterapeuta Patrícia Espíndola, que divide os dias entre atendimentos em salão, sessões a domicílio e a faculdade. No meio dessa rotina está a filha Manuela Souza, de 12 anos, estudante da Escola Estadual Professor Henrique Ciryllo Correa, em Campo Grande. Com a jornada ampliada, a adolescente permanece na escola durante boa parte do dia, reduzindo a necessidade de a mãe interromper o trabalho para buscá-la no horário do almoço ou organizar alguém para acompanhá-la.

“A escola integral ajudou muito na minha rotina por conta do trabalho. Como sou autônoma, o fato de ela estudar o dia todo facilitou bastante, porque não preciso buscar na hora do almoço ou organizar alguém para ficar com ela”, relata Patrícia. A experiência da família acompanha uma expansão da educação integral na rede estadual de Mato Grosso do Sul. Em 2026, são 213 escolas com jornada ampliada, cerca de 62% das 352 unidades estaduais, atendendo mais de 39 mil estudantes nos 79 municípios. Além de ampliar o período de permanência na escola, a proposta reúne atividades pedagógicas, esportivas e culturais, alimentação e acompanhamento dos estudantes. Para Patrícia, os benefícios também aparecem na relação da filha com o ambiente escolar. Manuela participa de basquete, badminton e xadrez, gosta das atividades realizadas no fim do dia e, segundo a mãe, chega a reclamar quando precisa sair mais cedo.

A ampliação da jornada, no entanto, exige que o tempo adicional seja acompanhado de qualidade. Na Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, uma das primeiras unidades da rede a adotar o modelo integral, o diretor Marcio Beretta Cossato destaca que a proposta precisa ir além de manter o estudante por mais horas dentro da escola. A rotina combina conteúdos curriculares com projetos e atividades culturais e esportivas, buscando desenvolver autonomia e novas habilidades. “Quando falamos em permanecer mais horas na escola, precisamos pensar na qualidade desse tempo”, afirma. A proposta também considera que a escola pode oferecer oportunidades que nem todas as famílias conseguem proporcionar no contraturno, como atividades esportivas, culturais e de desenvolvimento pessoal. Para o Governo de Mato Grosso do Sul, a educação integral também funciona como uma política que dialoga com a realidade das famílias. O governador Eduardo Riedel afirma que a escola não deve ser vista apenas como o local onde os pais deixam os filhos enquanto trabalham, mas reconhece que as condições de vida e a estabilidade familiar também interferem na aprendizagem.

A expansão para os 79 municípios representa um avanço, mas ainda há desafios para garantir que mais estudantes tenham acesso ao modelo sem comprometer a qualidade. Em algumas unidades, apenas determinadas séries ou turmas funcionam em jornada integral, enquanto outros alunos permanecem no ensino parcial. A ampliação exige investimentos em salas, refeitórios, alimentação, profissionais, transporte e planejamento pedagógico, além do acompanhamento de indicadores como aprendizagem, frequência e abandono escolar. Para famílias como a de Patrícia, porém, os efeitos já aparecem na rotina: enquanto ela trabalha e estuda, sabe que a filha está em um ambiente de aprendizagem, convivência e atividades. O desafio agora é fazer com que essa experiência alcance cada vez mais estudantes e que mais tempo na escola represente, de fato, mais oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento.

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