Redação Plenax – Flavia Andrade
A história ferroviária de Campo Grande ganha novos contornos por meio da arte no projeto “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário”, desenvolvido pela artista visual Sara Welter, conhecida artisticamente como Syunoi.
Misturando pesquisa histórica, ilustração e educação patrimonial, a iniciativa resgata a memória da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), que teve papel decisivo na formação urbana e cultural de Mato Grosso do Sul.
Projeto transforma patrimônio ferroviário em cartilha educativa
O novo desdobramento da série “Resquícios do Tempo” mergulha no complexo ferroviário de Campo Grande e nos vestígios deixados pela NOB ao longo do Estado.
A produção da cartilha educativa começou há três meses e será concluída em junho. O projeto ainda contará com um evento de lançamento, com data a ser divulgada, reunindo exposição artística, oficinas e atividades educativas voltadas à preservação da memória ferroviária.
A publicação reunirá textos históricos e desenhos autorais de 12 espaços marcantes da trajetória ferroviária sul-mato-grossense, entre eles:
- Estação Ferroviária;
- Casarão Thomé;
- Casa da Chefia;
- Caixa d’água da NOB;
- vagões abandonados;
- baldeação para Ponta Porã.
Arte em preto e branco reforça marcas do tempo
Os desenhos produzidos por Sara utilizam técnicas em nanquim e carvão para destacar rachaduras, sombras e sinais deixados pelo abandono das estruturas históricas.
“Todo o projeto Resquícios fala muito desse abandono, desses lugares antigos dos quais sobraram apenas restos e histórias”, explica a artista.
Segundo Sara, a ideia surgiu a partir da percepção de que existe interesse da população pela história da cidade, mas pouco acesso às informações sobre esses espaços históricos.
“Existe uma curiosidade sobre a história desses lugares antigos, mas falta acesso a essas informações. Também existem muitos locais abandonados e descuidados. É necessário falar sobre essa história para incentivar a preservação”, afirma.
Cartilha terá distribuição gratuita e versões acessíveis
Além da proposta artística, o projeto aposta na democratização do acesso à memória e ao patrimônio cultural.
As cartilhas serão distribuídas gratuitamente em escolas, bibliotecas e instituições culturais, incluindo versões acessíveis em braille.
A programação também prevê oficinas educativas em escolas municipais e um evento cultural com:
- exposição dos desenhos originais;
- palestra com representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional;
- apresentações artísticas;
- video-performance;
- DJ e ações educativas.
Pesquisa sobre memória ferroviária já ganhou destaque nacional
A série “Resquícios do Tempo” começou em 2021 e já passou pelo Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul durante o Festival Campão Cultural.
O projeto também foi apresentado em São Paulo, na 1ª Conferência Internacional das Tecnologias Sociais da Memória, em 2025.
Projeto conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc
“Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário” é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio do Ministério da Cultura, com execução da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande e apoio da Prefeitura de Campo Grande.

