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El Niño exige planejamento dos produtores de soja para a safra 2026/27

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas podem comprometer o desenvolvimento da lavoura; Conab estima produção de 181,64 milhões de toneladas

Os produtores de soja precisam reforçar o planejamento para a safra 2026/27 diante dos desafios climáticos previstos para o ciclo. Com o fim do vazio sanitário nas principais regiões produtoras e a intensificação das chuvas, o momento exige atenção às condições de umidade do solo e às previsões meteorológicas, especialmente diante da possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño.

O alerta é de Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond na BU Atlantic, que abrange Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Segundo ele, o acompanhamento das condições climáticas é fundamental para reduzir os riscos durante o estabelecimento inicial da cultura.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção de 181,64 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, em uma área estimada em 49,3 milhões de hectares. A dimensão da cultura no cenário agrícola brasileiro reforça a importância do manejo adequado diante de possíveis oscilações climáticas.

Irregularidade das chuvas preocupa no início do ciclo

Entre os principais riscos associados ao El Niño está a irregularidade das precipitações, que pode afetar o desenvolvimento da soja desde as primeiras etapas. Após a semeadura, períodos de estiagem podem comprometer a germinação, a emergência das plantas e o estabelecimento da lavoura.

“Esse momento exige atenção redobrada às condições de umidade do solo e às previsões climáticas, especialmente diante da possibilidade de intensificação do El Niño”, alerta Carloto.

Os impactos da falta de água, porém, não se limitam ao início do ciclo. Pesquisas conduzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que o déficit hídrico durante o desenvolvimento da cultura também pode afetar componentes relacionados à produtividade.

Em estudo realizado na safra 2024/25, um período de 18 dias sem irrigação entre os estádios reprodutivos R1 e R3 provocou redução de 4% no rendimento de grãos em condições de sequeiro. A pesquisa também identificou impactos sobre o número e a massa de nódulos, a altura das plantas e o número de nós.

Calor e falta de água podem comprometer a produtividade

A combinação de temperaturas elevadas com menor disponibilidade de água aumenta os desafios fisiológicos enfrentados pela cultura. Nessas condições, processos como fotossíntese, crescimento e absorção de água e nutrientes podem ser prejudicados.

“Quando as temperaturas elevadas se somam à menor disponibilidade de água, a soja precisa direcionar mais recursos para manter seu funcionamento fisiológico. Esse cenário pode afetar processos importantes, como fotossíntese, crescimento e aproveitamento de água e nutrientes”, explica o gerente.

Diante desse cenário, o planejamento antes e durante a semeadura é apontado como uma das principais medidas para reduzir os efeitos de possíveis oscilações climáticas. Entre as estratégias estão a escolha adequada da janela de plantio, a nutrição equilibrada e o acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas.

Biofertilizantes podem complementar o manejo

Outra ferramenta utilizada no manejo da cultura são os biofertilizantes à base da alga Ascophyllum nodosum. Encontrada em águas frias do Atlântico Norte, principalmente na costa do Canadá, a alga contém compostos bioativos que podem contribuir para as respostas fisiológicas das plantas diante de condições adversas.

De acordo com as informações apresentadas pela empresa, extratos da alga aplicados no tratamento de sementes podem favorecer o desenvolvimento das raízes, contribuindo para a absorção de água e nutrientes. Já as aplicações foliares podem auxiliar as respostas das plantas a diferentes condições de estresse climático.

O uso desses produtos, no entanto, é apresentado como uma estratégia complementar, e não como substituto das práticas convencionais de manejo agrícola.

Para Carloto, a preparação para a safra deve começar antes da semeadura, com medidas que considerem os riscos relacionados à disponibilidade de água e às variações de temperatura.

Quanto mais estruturado estiver o sistema produtivo para enfrentar essas condições, maiores serão as possibilidades de preservar o desenvolvimento da cultura e seu potencial produtivo, ressalta o gerente.

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