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Dourados recebe formação do Iphan para documentar e preservar a língua Guarani Kaiowá

crédito das imagens: Casulo Espaço de Arte e Cultura

Redação Plenax – Flavia Andrade

Iniciativa reúne lideranças indígenas e pesquisadores para registrar a língua e subsidiar sua inclusão no Inventário Nacional da Diversidade Linguística

Dourados recebe, nesta quinta-feira (8) e sexta-feira (9), uma formação promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para documentar a língua Guarani Kaiowá. A atividade ocorre no Casulo Espaço de Arte e Cultura e reúne lideranças indígenas, pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e gestores culturais. O objetivo é capacitar a equipe local para realizar pesquisas e registros que contribuam para a inclusão da língua no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), iniciativa voltada ao reconhecimento e à valorização das línguas que compõem a diversidade cultural brasileira.

A programação começa com uma etapa teórica, dedicada à apresentação dos objetivos, conceitos e metodologias do inventário. Na sequência, os participantes recebem orientações técnicas para a coleta de áudios, vídeos e informações sobre os diferentes contextos de uso da língua. Segundo Julia Aissa, coordenadora do Casulo, a formação prepara lideranças e pesquisadores para desenvolver o trabalho de documentação. Para Fineida Concianza, Nhandecy e liderança espiritual feminina Guarani Kaiowá, preservar a língua é fundamental para manter as raízes culturais do povo. “O português a gente precisa aprender em segundo lugar. Em primeiro lugar, aprender a língua de nós, porque é manter nossas raízes”, afirma.

De acordo com dados do INDL, o Brasil possui 295 línguas indígenas, sendo que 130 são utilizadas por grupos com menos de cem pessoas ou até mesmo por apenas um falante. O Guarani Kaiowá, por sua vez, contabiliza 38.658 falantes, conforme o Censo 2022. O professor e pesquisador da UFGD, Andrébio Martins, ressalta que a situação da língua varia entre as comunidades, especialmente em relação à transmissão entre gerações e à influência do português, da escola e das tecnologias digitais. Para ele, documentar a língua significa reconhecer sua importância cultural e fortalecer sua continuidade. A iniciativa conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) e da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), além do apoio do Iphan e de organizações e comunidades indígenas.

Serviço

Evento: Formação do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL/Iphan)

Data: Quinta-feira (8) e sexta-feira (9)

Horários: Das 8h às 11h30 e das 13h às 17h

Local: Casulo Espaço de Arte e Cultura

Endereço: Rua Reinaldo Bianchi, 398, Dourados (MS)

Mais informações: Instagram @casulodourados

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