Redação Plenax – Flavia Andrade
Planejamento das operações, manutenção preventiva e uso de tecnologias ajudam produtores a reduzir desperdícios e melhorar a eficiência no campo
A alta do preço do diesel aumenta a pressão sobre os custos da produção agrícola e reforça a necessidade de controlar o consumo de combustível durante a safra. Com o avanço das operações de plantio em diferentes regiões do país, o planejamento e a eficiência das máquinas tornam-se fatores importantes para reduzir desperdícios e otimizar os gastos no campo.
O consumo de diesel nas operações mecanizadas varia conforme a atividade realizada, as condições do terreno, a regulagem dos equipamentos, a tecnologia embarcada e a forma de condução. Segundo Edison Souza, gerente comercial de Pós-Vendas da AGCO América Latina, medidas relacionadas ao planejamento, à manutenção e à operação das máquinas podem contribuir para melhorar o aproveitamento do combustível.
Planejamento das operações reduz deslocamentos
A organização das atividades é uma das estratégias para evitar deslocamentos desnecessários e reduzir o tempo de operação. O uso do piloto automático, por exemplo, ajuda a orientar a máquina ao longo das linhas de plantio, diminuindo a sobreposição de passadas e favorecendo o aproveitamento da área trabalhada.
O planejamento prévio dos talhões, trajetos e pontos de abastecimento também contribui para otimizar o tempo disponível. Além disso, a velocidade de trabalho e a configuração dos equipamentos devem ser ajustadas de acordo com a atividade, as condições do solo e a potência exigida.
Manutenção preventiva influencia o consumo
As condições dos filtros, do sistema de injeção, dos pneus e dos componentes do motor interferem no desempenho das máquinas agrícolas. A manutenção preventiva permite identificar falhas que podem comprometer a potência e elevar o consumo de combustível.
O armazenamento adequado do diesel também exige cuidados. A presença de água e impurezas pode comprometer componentes do sistema de alimentação e prejudicar o funcionamento do motor.
A mistura de biodiesel ao diesel comercializado no Brasil reforça a importância de seguir as recomendações dos fabricantes para armazenamento, conservação e abastecimento. O uso de aditivos e produtos específicos para controle de contaminação deve observar a necessidade identificada e as orientações técnicas aplicáveis a cada equipamento.
Condução adequada contribui para a eficiência
A maneira como o operador conduz a máquina também influencia o consumo durante a jornada de trabalho. Manter a rotação adequada do motor, selecionar corretamente a marcha ou a configuração da transmissão e evitar acelerações desnecessárias são medidas que ajudam a aproveitar melhor a potência disponível.
Nos deslocamentos entre áreas, a velocidade deve ser compatível com as condições da via, a carga transportada e as especificações do equipamento. A adoção desses cuidados contribui para evitar esforços desnecessários do motor.
Telemetria permite monitorar o desempenho
Sistemas de telemetria e gestão de máquinas permitem acompanhar indicadores como horas trabalhadas, consumo de combustível e desempenho operacional. Com essas informações, o produtor pode identificar variações no consumo e avaliar oportunidades de melhoria no planejamento, na manutenção e na condução dos equipamentos.
“Para o produtor, acompanhar o consumo durante a safra ajuda a identificar desperdícios e tomar decisões sobre manutenção, condução e planejamento. Em períodos de preços mais altos, cada hora de trabalho e cada litro de diesel utilizado ganham peso na conta da operação”, ressalta Edison Souza.
Tecnologia das máquinas pode reduzir o gasto com diesel
Além dos cuidados operacionais, os recursos tecnológicos incorporados às máquinas agrícolas também podem contribuir para a eficiência energética. Sistemas inteligentes de transmissão ajustam o funcionamento do motor à carga exigida durante a atividade, buscando manter o desempenho necessário com menor consumo de combustível.
Um exemplo apresentado pela fabricante é o trator MF 8S, da Massey Ferguson, equipado com transmissão Dyna-VT. Em testes comparativos realizados em condições reais de campo, durante uma operação de plantio direto com implementos de 18 linhas, o equipamento registrou consumo de 24,19 litros por hora, enquanto o modelo utilizado como referência apresentou consumo de 33,75 litros por hora.
Segundo os dados divulgados, a diferença corresponde a uma redução de 28,33% no consumo por hora. O resultado está relacionado às condições específicas do teste e não representa necessariamente a economia obtida em todas as operações agrícolas.
“A eficiência energética se consolida como um dos principais critérios técnicos na escolha do maquinário agrícola pelo produtor. Reduzir o consumo de combustível sem comprometer o desempenho das operações contribui para melhorar o aproveitamento dos recursos e dar maior previsibilidade aos custos da atividade”, afirma o especialista.

