Redação Plenax – Flavia Andrade
Celebrado em 31 de maio, o Dia Mundial Sem Tabaco reforça os impactos do cigarro na saúde. Além das doenças pulmonares, cardiovasculares e do aumento do risco de câncer, o tabagismo também pode afetar diretamente a saúde bucal e dificultar a identificação de problemas na gengiva.
Segundo a periodontista e implantodontista Cristina Miura, a nicotina provoca vasoconstrição — estreitamento dos vasos sanguíneos — reduzindo a circulação de sangue e oxigênio nos tecidos da boca.
Esse processo interfere na resposta inflamatória da gengiva e pode mascarar um dos sinais mais conhecidos de doenças periodontais: o sangramento.
“Para muita gente, não ver sangue ao escovar os dentes ou passar fio dental parece um bom sinal. Mas, em quem fuma, a ausência de sangramento não deve ser interpretada sozinha”, explica a especialista.
De acordo com a dentista, o cigarro pode esconder inflamações graves que evoluem silenciosamente.
“Em quem fuma, gengiva que não sangra muitas vezes não é sinal de saúde. Pode ser o cigarro apagando o alarme de incêndio enquanto a casa pega fogo. A pessoa pode estar perdendo osso de suporte devagar, sem dor, sem sangramento, acreditando que está tudo bem”, alerta.
Doença pode avançar sem sintomas evidentes
A doença periodontal compromete as estruturas que sustentam os dentes. Nos estágios iniciais, costuma provocar inflamação, vermelhidão, inchaço e sangramento gengival. Quando evolui, pode atingir o osso de suporte, causar retração gengival, mobilidade dentária e até perda dos dentes.
Em fumantes, porém, muitos desses sinais aparecem de forma menos perceptível, atrasando a procura por atendimento odontológico.
“Quando o dente começa a amolecer, parte do dano já pode ter acontecido. O osso perdido pela doença periodontal dificilmente volta ao que era antes, e a retração da gengiva pode deixar espaços entre os dentes e mudar o sorriso de forma permanente”, afirma Cristina Miura.
Além das doenças gengivais, o tabagismo também está relacionado a manchas nos dentes, mau hálito persistente, boca seca, maior acúmulo de placa bacteriana e dificuldades de cicatrização após procedimentos odontológicos.
O cigarro ainda aumenta o risco de câncer de boca e orofaringe. Feridas que não cicatrizam, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, caroços e dores persistentes devem ser avaliados por um profissional.
Sinais que merecem atenção
Mesmo sem dor ou sangramento, alguns sintomas podem indicar problemas bucais relacionados ao tabagismo:
Gengiva retraída;
Dentes com mobilidade;
Mau hálito persistente;
Manchas que não desaparecem com escovação;
Feridas que não cicatrizam;
Cicatrização lenta após cirurgias ou implantes.
Ex-fumantes também precisam de acompanhamento
Segundo a especialista, parar de fumar melhora gradualmente a circulação sanguínea na gengiva e favorece a recuperação do organismo. Ainda assim, problemas já instalados podem continuar evoluindo sem acompanhamento adequado.
Por isso, fumantes e ex-fumantes devem manter consultas regulares com dentistas, especialmente em casos de retração gengival, histórico de doença periodontal, mau hálito persistente ou alterações na mucosa oral.
Cristina Miura destaca que o cuidado precisa ocorrer sem julgamentos.
“O fumante, na maioria das vezes, já sabe que o cigarro faz mal. Repetir isso em tom de sermão não ajuda. O ponto é mostrar que existem sinais silenciosos e que cuidar da boca também pode ser uma forma de começar a cuidar da vida”, afirma.
A especialista reforça que o Dia Mundial Sem Tabaco deve servir como incentivo ao cuidado integral com a saúde.
“É um dia pela vida, pela chance de envelhecer com saúde, continuar sorrindo e estar mais tempo com quem se ama. Se a boca dá algum sinal, vale olhar para isso com cuidado e procurar ajuda”, conclui.

