Redação Plenax – Flavia Andrade
Dados do Inpe apontam redução de 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado; em entrevista, João Paulo Capobianco também destacou novos investimentos no Fundo Florestas Tropicais para Sempre
O Brasil registrou as menores taxas de desmatamento da série histórica na Amazônia e no Cerrado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os resultados foram destacados pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, nesta quarta-feira (28).
“A taxa de desmatamento foi a menor taxa da história desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) iniciou o Prodes, Programa de Monitoramento por Imagem de Satélite, em 1988. Chegar ao menor número da história foi um feito fundamental e extremamente relevante. Nós temos que comemorar muito”, afirmou.
Na Amazônia, o desmatamento somou 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, uma queda de 41,8% em comparação com os 5.731 km² registrados no período anterior. O resultado representa a menor taxa desde o início da série histórica, em 1988.
No Cerrado, a área desmatada foi de 5.516,69 km², redução de 23,8% em relação aos 7.235,27 km² do ciclo anterior. Segundo os dados apresentados, esse também é o menor índice da série histórica do bioma, iniciada em 2001.
Redução contribui para evitar emissões
Capobianco ressaltou que a diminuição do desmatamento tem impacto direto na redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo o ministro, os resultados obtidos na Amazônia e no Cerrado evitaram emissões equivalentes às registradas pelo Japão em um ano.
“A Amazônia e o Cerrado foram responsáveis por evitar a emissão de gases de efeito estufa equivalentes à do Japão. Tudo que o Japão emitiu em um ano, o Brasil deixou de emitir só com essa redução na Amazônia e no Cerrado”, declarou.
O ministro também afirmou que a queda do desmatamento foi registrada nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga e Pampa.
“Todos os biomas, sem exceção, tiveram redução de desmatamento no ano 2025. É uma conquista fundamental do Brasil”, disse.
Fundo internacional busca remunerar quem preserva florestas
Durante a entrevista, o ministro também destacou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo internacional de financiamento destinado a apoiar países que conservam ou ampliam suas florestas tropicais.
A iniciativa combina capital soberano e filantrópico com investimentos privados para gerar pagamentos anuais vinculados aos resultados de conservação. O fundo foi lançado formalmente pelo governo brasileiro durante a COP30, realizada em Belém (PA), em 2025.
Na segunda-feira (26), os Países Baixos anunciaram um aporte de US$ 500 milhões, elevando para US$ 7,8 bilhões o total de investimentos anunciados para o mecanismo. O anúncio ocorreu cerca de um mês depois de o Reino Unido manifestar a intenção de investir 400 milhões de libras, aproximadamente US$ 540 milhões.
Para Capobianco, o objetivo é reconhecer financeiramente os países e agentes que mantêm a floresta em pé, criando incentivos para a conservação e o combate ao desmatamento.
“É um feito histórico, porque qual é o objetivo dele? É garantir que aquele que preserva a floresta seja reconhecido e seja remunerado por preservar a floresta”, afirmou.
O ministro acrescentou que o mecanismo poderá contribuir para tornar a conservação uma fonte de renda para quem protege as áreas florestais, além de reforçar os benefícios ambientais.
Expectativa de avanços na COP31
Capobianco espera que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre avance durante a COP31, prevista para começar em 9 de novembro, na Turquia. A expectativa do governo é ampliar o apoio internacional à iniciativa e avançar na implementação do mecanismo.
“Todo mundo que está protegendo a floresta terá direito a receber uma contribuição com base nos recursos do TFFF. Eu espero que em breve o fundo comece a funcionar para que a floresta em pé, além de toda a importância que ela tem para o meio ambiente, também possa gerar rendimentos para quem a protege”, concluiu.

