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Depressão pode começar ainda na gravidez? Saiba os sinais

Foto: Magnific

Redação Plenax – Flavia Andrade

Alterações emocionais persistentes durante a gestação podem indicar sofrimento psíquico e exigem atenção; acompanhamento precoce pode ajudar a evitar o agravamento dos sintomas no pós-parto

A depressão pós-parto costuma ser associada ao período após o nascimento do bebê, mas os primeiros sinais de sofrimento emocional podem surgir ainda durante a gestação. Tristeza persistente, ansiedade, irritabilidade, culpa e exaustão emocional não devem ser automaticamente tratados como alterações naturais da gravidez.

Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, muitas mulheres chegam ao pós-parto apresentando sintomas que já estavam presentes durante a gestação. A identificação precoce pode contribuir para que o quadro seja acompanhado antes de se agravar.

“Grande parte das mulheres que apresentam problemas de saúde mental no puerpério já estava apresentando sinais desde a gestação”, afirma a especialista.

A gravidez envolve mudanças físicas, hormonais, emocionais e sociais. No entanto, quando o sofrimento se prolonga ou começa a interferir na rotina e no autocuidado, é importante buscar avaliação profissional.

Quais sinais merecem atenção?

Entre os sintomas que podem indicar a necessidade de acompanhamento estão:

tristeza persistente;
crises frequentes de choro;
ansiedade intensa;
culpa recorrente;
irritabilidade;
isolamento;
sensação de incapacidade;
alterações importantes no sono ou no apetite;
perda de interesse por atividades que antes faziam sentido.

Isso não significa que toda mulher que se sente triste durante a gravidez esteja com depressão. Medos, inseguranças e cansaço podem fazer parte da gestação. O alerta está na frequência, intensidade e duração dos sentimentos, especialmente quando eles começam a prejudicar a rotina, os vínculos ou o acompanhamento da gravidez.

Por que muitas mulheres não procuram ajuda?

A ideia de que a maternidade deve ser necessariamente acompanhada de felicidade pode dificultar a identificação do sofrimento. Algumas mulheres podem ter receio de serem julgadas por não se sentirem plenamente felizes durante a gestação e acabam escondendo o que estão vivendo.

Por isso, ter espaço para falar sobre sentimentos sem julgamentos pode ser importante para a identificação dos sinais e para a busca de ajuda.

O acompanhamento pode começar no pré-natal

A avaliação psicológica durante a gestação pode ajudar a identificar fatores de risco, sintomas iniciais e situações de vulnerabilidade. O suporte da família e do parceiro também pode contribuir, principalmente quando ajuda a reduzir a sobrecarga e oferece espaço para que a gestante expresse suas dificuldades.

Cuidar da saúde mental durante a gravidez faz parte do cuidado integral com a gestante. Identificar o sofrimento ainda no período gestacional pode favorecer o início oportuno do acompanhamento e evitar que os sintomas se mantenham ou se agravem após o nascimento do bebê.

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