Redação Plenax – Flavia Andrade
Planejamento, preparo e responsabilidade são fundamentais para reduzir riscos em trilhas, cachoeiras e ambientes de difícil acesso, alerta o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Diante do aumento da procura por atividades ao ar livre, a corporação decidiu reforçar as orientações de segurança voltadas a praticantes que pretendem explorar áreas naturais.
De acordo com a tenente Letícia Medeiros Alves Frinhani, do CBMDF, trilhas não devem ser encaradas como passeios improvisados. Antes de iniciar qualquer percurso, é necessário definir o trajeto, avaliar o grau de dificuldade, observar as condições climáticas e planejar o horário de saída e retorno. “Em ambiente natural, qualquer imprevisto pode se agravar rapidamente se não houver preparo”, ressalta.
Entre as recomendações básicas está a orientação de nunca realizar trilhas sozinho. Avisar familiares ou amigos sobre o percurso escolhido e o horário previsto de retorno é uma medida essencial para facilitar o acionamento do socorro em caso de emergência. “Essas informações fazem diferença quando há necessidade de resgate”, explica a tenente.
Atenção ao clima e ao ambiente
As condições climáticas estão entre os principais fatores de risco, especialmente em trilhas próximas a rios e cachoeiras. A tenente Letícia chama a atenção para o fenômeno conhecido como cabeça-d’água, quando o nível do rio sobe repentinamente, mesmo sem chuva no local. Alterações na cor da água, aumento da correnteza ou a descida de galhos e folhas são sinais claros de perigo e exigem saída imediata da área.
A oficial reforça que não se deve insistir no percurso diante desses indícios. “A decisão precisa ser rápida, pois esperar pode colocar vidas em risco”, alerta. Também é recomendado evitar trilhas no fim da tarde ou à noite, priorizando saídas nas primeiras horas do dia, quando há mais tempo de luz natural e melhores condições de visibilidade.
Comunicação limitada exige planejamento
Outro ponto destacado pelo Corpo de Bombeiros é a limitação de comunicação em áreas remotas. Muitas trilhas não possuem sinal de telefonia móvel, o que dificulta o pedido de ajuda em situações de emergência. Por isso, o planejamento prévio é considerado indispensável, especialmente em percursos mais longos ou isolados, que podem exigir equipamentos específicos de comunicação.
Em caso de acidente, a orientação é avaliar a condição da vítima antes de qualquer tentativa de deslocamento. Se a pessoa não conseguir se mover, o ideal é que alguém permaneça com ela, garantindo abrigo e segurança, enquanto outra pessoa busca ajuda, sempre evitando expor mais pessoas ao risco.
Nesse contexto, a tenente Letícia explica que ocorrências em trilhas e áreas naturais geralmente demandam a atuação de equipes multidisciplinares do CBMDF. Esses atendimentos envolvem bombeiros especializados em salvamento, atendimento pré-hospitalar e busca em ambientes naturais. “São situações que dependem da integração entre diferentes áreas de atuação, considerando vítima, terreno e tempo de resposta”, pontua.
Equipamentos simples podem salvar vidas
O Corpo de Bombeiros reforça que o uso de equipamentos adequados e a adoção de condutas preventivas ajudam a reduzir riscos e facilitam o trabalho das equipes de resgate. Calçados próprios para trilha, com solado antiderrapante, reduzem a chance de escorregões e quedas em terrenos irregulares. Levar água em quantidade suficiente também é indispensável, já que nem sempre há pontos de apoio ao longo do percurso.
Itens simples podem ser decisivos em uma emergência, como apito para sinalização sonora, cobertor térmico para proteção contra o frio e um kit básico de primeiros socorros para atendimento inicial.
Experiência prática reforça os cuidados
Corredora de trilhas, a professora de educação física Patrícia Faim Arruda afirma que as orientações dos bombeiros fazem parte da rotina de quem pratica a modalidade com regularidade. Segundo ela, uma regra básica é nunca deixar ninguém para trás. “Se alguém apresenta dificuldade, o grupo para e presta auxílio. Trilha não é competição”, destaca.
Patrícia relata já ter presenciado acidentes como torções e fraturas, inclusive em eventos organizados. Em muitos trechos, a ausência de sinal de celular dificulta o acionamento do socorro, o que exige organização do grupo até a chegada de ajuda.
Ela ressalta que a principal diferença entre trilhas organizadas e expedições independentes está na estrutura disponível. “Em eventos, há equipes de apoio distribuídas ao longo do percurso. Em expedições, não existe esse suporte imediato, o que exige ainda mais preparo”, observa. Para quem não conhece o local, a recomendação é clara: contratar um guia experiente.
Preparo físico e responsabilidade ambiental
O preparo físico também é apontado como fator essencial de segurança. Trilhas envolvem terreno irregular, subidas longas e grande esforço físico. Fortalecimento muscular e treino cardiorrespiratório ajudam a reduzir o risco de quedas, exaustão e lesões.
A escolha do calçado e das meias adequadas também merece atenção. Tênis novos devem ser evitados, pois podem causar bolhas e ferimentos. Meias próprias para trilha ou corrida são mais indicadas, por reduzirem a umidade e o atrito.
Além da segurança individual, a conduta coletiva e o respeito ao meio ambiente fazem parte das orientações. Todo o lixo produzido deve ser recolhido, preservando o espaço natural. Ao reunir orientações técnicas e a experiência prática de quem vive a atividade, o alerta é direto: trilhas exigem planejamento, atenção e responsabilidade para que a experiência seja segura e positiva.

