Redação Plenax – Flavia Andrade
Força física, hábito de viver em grupo e necessidade de áreas úmidas tornam a infraestrutura um fator decisivo para a produtividade da bubalinocultura
O crescimento da bubalinocultura no Brasil tem levado produtores a investir em estruturas cada vez mais robustas para garantir segurança, bem-estar animal e eficiência no manejo. Com um rebanho superior a 1,8 milhão de cabeças, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a criação de búfalos apresenta características que exigem planejamento diferenciado em relação à pecuária tradicional.
Domesticados há milhares de anos na Ásia, os búfalos chegaram ao Brasil no século XIX, inicialmente pela Ilha de Marajó, no Pará. Desde então, a espécie ganhou espaço no país devido à rusticidade, à capacidade de adaptação a diferentes ambientes e à produção de carne e leite de alto valor nutricional.
Apesar dessas vantagens, especialistas alertam que o comportamento dos bubalinos exige atenção especial, principalmente no planejamento das áreas de manejo e dos sistemas de cercamento.
Segundo o gerente de Negócios Agro da Belgo Arames, Bruno Nolasco, compreender os hábitos naturais dos animais é fundamental para reduzir perdas e melhorar o desempenho da atividade.
“Os búfalos vivem em grupo, possuem forte instinto de rebanho e grande capacidade de aprendizado. Quando manejados corretamente, costumam apresentar comportamento dócil, mas são extremamente fortes e persistentes diante de obstáculos, além de sensíveis ao estresse causado por manejo inadequado”, explica.
Busca por água e sombra influencia manejo
Uma das principais características da espécie é a necessidade constante de ambientes úmidos.
Como possuem menos glândulas sudoríparas que os bovinos e pele mais espessa e escura, os búfalos dependem da água, da lama e de áreas sombreadas para controlar a temperatura corporal.
Segundo o especialista, quando essas condições não estão disponíveis, os animais tendem a procurar locais mais adequados, aumentando o risco de fugas e acidentes.
Cercas precisam suportar maior pressão
A força física dos bubalinos também exige estruturas de contenção mais resistentes.
É comum que os animais pressionem as cercas ao se apoiar, esfregar o corpo ou tentar alcançar áreas de pastagem e fontes de água. Quando o cercamento é inadequado, podem ocorrer rompimento de arames, deslocamento de mourões e danos à estrutura da propriedade.
Para reduzir esses problemas, Bruno Nolasco recomenda que o planejamento considere não apenas a resistência dos materiais, mas também o comportamento da espécie.
“Corredores amplos, curvas suaves, currais bem dimensionados e áreas de sombra e bebedouros estrategicamente posicionadas reduzem o estresse dos animais e facilitam o manejo”, afirma.
Infraestrutura melhora produtividade
Além de favorecer o bem-estar animal, uma estrutura adequada contribui para reduzir custos de manutenção, minimizar perdas por fugas e aumentar a eficiência da produção.
O especialista destaca que cercas permanentes devem utilizar materiais resistentes à tração e à corrosão, especialmente em áreas úmidas ou sujeitas a alagamentos, características comuns em propriedades voltadas à criação de búfalos.
Embora cite soluções desenvolvidas pela Belgo Arames para esse tipo de aplicação, Bruno Nolasco ressalta que a escolha da infraestrutura deve levar em conta o sistema de produção adotado e as características de cada propriedade.
Na avaliação do gerente, o cercamento deixou de ser apenas um elemento de divisão de áreas e passou a ocupar papel estratégico na bubalinocultura, contribuindo para a segurança do rebanho, a organização do manejo e a sustentabilidade da atividade ao longo dos anos.

