Redação Plenax – Flavia Andrade
A história da ferrovia que ajudou a transformar Campo Grande e Mato Grosso do Sul ganhará um novo registro por meio da cartilha “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário”, que será lançada no dia 3 de julho, a partir das 17h, no Casarão Thomé, em Campo Grande. A entrada é gratuita.
Idealizado pela artista visual Sara Welter, conhecida artisticamente como Syunoi, o projeto reúne pesquisa histórica, ilustrações autorais e ações educativas voltadas à valorização do patrimônio ferroviário sul-mato-grossense. O evento de lançamento contará ainda com palestra, apresentações artísticas, música ao vivo e exposição dos desenhos que compõem a publicação.
A cartilha é a segunda edição do projeto “Resquícios do Tempo”, iniciativa que busca aproximar a população da memória urbana por meio da arte. Desta vez, o foco está no Complexo Ferroviário da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), conjunto tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e considerado um dos marcos do desenvolvimento econômico e social da Capital.
Segundo Sara Welter, o trabalho pretende ampliar o olhar sobre a importância histórica da ferrovia para o Estado.
“O objetivo do projeto é expandir cada vez mais esse diálogo entre arte e história. Nesta edição, buscamos contar a trajetória do Complexo Ferroviário de Campo Grande e mostrar a dimensão da Noroeste do Brasil, que atravessa todo o Mato Grosso do Sul”, explica.
A produção da cartilha envolveu dois meses de pesquisa histórica, três meses dedicados à elaboração das ilustrações e um mês de diagramação. A publicação apresenta a história de 12 locais ligados à ferrovia, entre eles a Estação Ferroviária, o Casarão Thomé, a Casa da Chefia, a Casa dos Empregados, a Caixa D’Água da NOB, a antiga baldeação para Ponta Porã e vagões históricos que ainda permanecem na cidade.
Desenvolvidos em nanquim e carvão, os desenhos retratam a passagem do tempo e o estado de conservação de parte desse patrimônio. A estética adotada busca evidenciar marcas do abandono e da resistência dessas construções ao longo das décadas.
Além de preservar a memória ferroviária, o projeto também possui caráter educativo. Exemplares da cartilha serão distribuídos gratuitamente para escolas, bibliotecas e instituições culturais, incluindo versões em braille. Oficinas de educação patrimonial também serão realizadas em escolas municipais utilizando o material como ferramenta pedagógica.
“Contar a história da cidade e torná-la acessível à população é fundamental. A ferrovia teve papel decisivo na construção da identidade de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Queremos despertar novos olhares sobre essa herança histórica”, destaca a artista.
A programação de lançamento reunirá diferentes expressões artísticas. Entre as atrações estão a palestra do historiador José Augusto Carvalho dos Santos, chefe da Divisão Técnica do IPHAN em Mato Grosso do Sul; a intervenção cênica do espetáculo “Miragens do Asfalto”, do Teatro Imaginário Maracangalha; e o show da banda Alien Sputnik.
A apresentação musical contará ainda com projeções de video mapping assinadas por Natacha Ik, utilizando imagens da video-performance criada por Madu Flores especialmente para o projeto. O trabalho audiovisual foi registrado por Eduardo Marques e pela própria Sara Welter.
Para a artista, a arte desempenha papel essencial na preservação da memória coletiva.
“A arte registra, documenta e dá visibilidade a esses espaços. Os desenhos ajudam a preservar a história por meio da observação e da interpretação artística, permitindo que as pessoas reconheçam o valor cultural e afetivo desses lugares”, afirma.
Realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, o projeto é executado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac).
Serviço
Lançamento da cartilha “Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário”
Data: 3 de julho
Horário: 17h
Local: Casarão Thomé
Endereço: Rua 14 de Julho, 3169 – Bairro São Francisco, Campo Grande (MS)
Entrada: Gratuita

