Redação Plenax – Flavia Andrade
Estudo da Neogrid mostra aumento em legumes e feijão, enquanto café, frango e farinha de trigo registram queda na região
A carne suína registrou forte alta de 25,6% em maio no Centro-Oeste e liderou o avanço dos preços dos alimentos na região, segundo o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, divulgado pela Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados voltado à cadeia de consumo.
O levantamento aponta que, além da carne suína, categorias como legumes e feijão também pressionaram o orçamento das famílias, enquanto itens como café, frango e farinha de trigo apresentaram queda no período.
Clima influencia alta dos alimentos
De acordo com o estudo, a chegada das temperaturas mais baixas impacta diretamente a produção agrícola e ajuda a explicar o aumento nos preços de hortaliças e legumes em todo o país. No Centro-Oeste, a categoria de legumes avançou 10,2%, acompanhando a tendência nacional de alta.
O gerente executivo de Dados da Neogrid, Marcelo Alves, explica que a variação está relacionada à sensibilidade desses produtos às condições climáticas.
“As categorias mais pressionadas em maio são justamente aquelas mais sensíveis à oferta e às condições climáticas. Em épocas mais frias, a produtividade e o ritmo de maturação de alguns produtos podem ser afetados, diminuindo a disponibilidade e elevando os preços ao consumidor”, afirma.
Segundo ele, o cenário reforça a importância de planejamento e gestão de estoque ao longo da cadeia de abastecimento, especialmente em períodos de maior volatilidade.
Outras altas no Centro-Oeste
Além da carne suína e dos legumes, outras categorias também registraram aumento de preços na região em maio:
Desinfetante: +12,3%
Feijão: +9,8%
Molho de tomate: +8,4%
O movimento acompanha a tendência de encarecimento de itens essenciais da cesta de consumo, especialmente alimentos básicos e produtos de uso doméstico.
Quedas aliviam parte da pressão
Na contramão das altas, alguns produtos ajudaram a aliviar o impacto no bolso do consumidor. Entre os principais recuos no Centro-Oeste estão:
Sal: -5,2%
Farinha de trigo: -5,2%
Café em pó e em grãos: -5,1%
Frango: -3,7%
Água mineral: -3,1%
A carne suína também aparece entre as categorias com comportamento volátil no cenário nacional, apesar de liderar as altas na região analisada.
Legumes seguem como principal pressão no ano
No acumulado entre dezembro de 2025 e maio de 2026, os legumes continuam liderando as maiores altas do varejo alimentar, com valorização de 44,2% em todo o país. Em seguida aparecem feijão (26,5%), leite UHT (23,9%), carne bovina (6%) e ovos (6%).
Segundo a Neogrid, o comportamento dos preços segue influenciado por fatores climáticos e pode sofrer novas oscilações nos próximos meses, especialmente diante das projeções relacionadas ao fenômeno El Niño, que pode afetar o regime de chuvas e a produção agrícola.
Cenário segue sob monitoramento
Marcelo Alves destaca que variações climáticas podem ampliar a volatilidade em categorias sensíveis, como hortifruti e lácteos, exigindo maior planejamento da cadeia de abastecimento.
“O cenário também chama atenção para a importância do abastecimento inteligente em períodos de maior volatilidade”, reforça.

