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Capim desenvolvido em Goiás chega ao Vale do Silício e desperta interesse de gigantes da tecnologia

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Tifton 85 foi apresentado a empresas como Nvidia e Meta por unir alta produtividade no campo, recuperação ambiental e potencial para projetos de captura de carbono

Uma tecnologia amplamente utilizada na pecuária brasileira ganhou espaço em um dos principais polos de inovação do mundo. O capim Tifton 85, conhecido por elevar a produtividade das propriedades rurais, foi apresentado a grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício, nos Estados Unidos, como alternativa para iniciativas ligadas à sustentabilidade, captura de carbono e recuperação ambiental.

A iniciativa foi conduzida pela Amazon Mudas, sediada em Brazabrantes (GO), que participou de uma agenda internacional com visitas à Plug and Play, à Nvidia e à Meta.

O movimento ocorre em um cenário de crescente preocupação com as emissões de carbono associadas ao avanço da inteligência artificial e à expansão dos data centers. Segundo dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), as emissões indiretas das maiores empresas globais de tecnologia aumentaram cerca de 150% entre 2020 e 2023.

Produtividade até dez vezes maior

De acordo com o presidente da Amazon Mudas, o zootecnista Oswaldo Stival Neto, o interesse pelo Tifton 85 vai além da questão ambiental. O capim também se destaca pelos ganhos expressivos de produtividade na pecuária.

Segundo ele, enquanto a média nacional trabalha com aproximadamente uma Unidade Animal por hectare (UA/ha), propriedades que utilizam o Tifton 85 conseguem alcançar cerca de seis UA/ha, mesmo em sistemas exclusivamente a pasto.

Os resultados também aparecem na produção de carne. Enquanto a média brasileira gira em torno de quatro arrobas por hectare ao ano, propriedades que adotaram o Tifton 85 registraram índices próximos de 40 arrobas por hectare, sem a necessidade de suplementação com ração.

Potencial de captura de carbono

Outro diferencial apontado pela empresa é a capacidade de regeneração ambiental proporcionada pela forrageira. A cobertura permanente do solo favorece a infiltração de água, estimula a atividade biológica e contribui para o aumento da matéria orgânica.

Segundo Oswaldo Stival Neto, o sistema radicular da planta auxilia no armazenamento de carbono no solo, fortalecendo os processos naturais de recuperação ambiental.

Estudos da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina indicam que pastagens perenes, como o Tifton 85, podem sequestrar até 3,79 toneladas de CO₂ equivalente por hectare ao ano quando manejadas adequadamente.

Agro e tecnologia cada vez mais conectados

A missão internacional integrou a programação promovida pela Farm Connection, fundada pelo engenheiro agrônomo Bruno Dupin. O grupo também contou com a participação da produtora rural e comunicadora Camila Telles.

Além de apresentar o potencial do Tifton 85, a Amazon Mudas aproveitou a agenda para conhecer soluções voltadas à inteligência artificial, análise de dados e gestão, buscando aprimorar processos internos e ampliar o suporte tecnológico oferecido aos produtores rurais.

Financiamento para expansão

A passagem pelo Vale do Silício também abriu espaço para discussões sobre futuras parcerias e novos modelos de negócios. Entre as possibilidades analisadas está a criação de uma linha de financiamento específica para implantação do Tifton 85 em propriedades rurais.

A iniciativa faz parte da estratégia da empresa goiana de ampliar sua atuação internacional e aproximar o agronegócio brasileiro dos principais centros globais de inovação, tecnologia e sustentabilidade.

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