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Calvície não vem só da mãe: entenda como a genética influencia a queda de cabelo

Foto: Magnific

Redação Plenax – Flavia Andrade

Alopecia androgenética é uma condição poligênica; histórico familiar aumenta a predisposição, mas não significa que a pessoa necessariamente ficará careca

“Meu pai é careca. Vou ficar careca também?” A pergunta é comum entre homens preocupados com a queda de cabelo, mas a resposta não depende exclusivamente da genética materna, como diz uma antiga crença popular.

A alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície hereditária, é influenciada por diversos genes herdados tanto da mãe quanto do pai. Ter familiares com a condição pode aumentar a predisposição, mas não significa que a pessoa obrigatoriamente desenvolverá o problema.

Segundo o dermatologista e tricologista Hudson Dutra Rezende, a genética é um dos principais fatores associados à alopecia androgenética, mas não atua de forma isolada.

“Existe o mito de que a calvície vem apenas do lado da mãe porque um dos genes mais estudados relacionados à alopecia androgenética está localizado no cromossomo X. No entanto, hoje sabemos que a condição é poligênica, ou seja, envolve diversos genes herdados tanto da mãe quanto do pai. Ter um familiar careca aumenta o risco, mas não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a condição”, explica.

Primeiros sinais podem aparecer na juventude

Os primeiros sinais da alopecia androgenética costumam surgir entre os 20 e 30 anos, embora possam aparecer antes ou depois dessa faixa etária.

Entre os indícios que merecem atenção estão o afinamento progressivo dos fios, aumento da queda e o surgimento ou avanço das chamadas “entradas”.

A identificação precoce é importante porque nem toda queda de cabelo é causada por calvície hereditária. Diferentes condições podem provocar perda ou afinamento dos fios e exigem tratamentos específicos.

Queda de cabelo pode ter outras causas

Além da predisposição genética, alterações hormonais, doenças do couro cabeludo, alopecia areata, alopecia por tração e tricotilomania podem estar relacionadas à queda de cabelo.

Estresse intenso, determinados medicamentos e suplementos, alterações associadas ao uso ou à interrupção de pílulas anticoncepcionais, radioterapia e quadros de desnutrição também podem provocar perda capilar.

Por isso, a avaliação médica é necessária para identificar a origem do problema antes da definição de qualquer tratamento.

“Quanto mais cedo o paciente procura por um médico, maiores são as chances de retardar a progressão da alopecia com tratamentos individualizados”, destaca Hudson Dutra Rezende.

Transplante pode ser opção em casos de perda definitiva

Quando a perda dos fios já é considerada permanente, o transplante capilar pode ser uma alternativa, conforme avaliação médica.

O cirurgião Thiago Bianco Leal explica que o procedimento consiste na retirada de folículos de áreas doadoras, geralmente localizadas nas regiões posterior e lateral da cabeça, para posterior implantação nas áreas afetadas pela calvície.

Os folículos transplantados mantêm suas características genéticas e podem continuar crescendo normalmente na nova região.

Segundo Bianco, o procedimento pode ser combinado ao tratamento clínico para preservar os fios que ainda estão presentes e prolongar os resultados.

“O transplante devolve cabelos às áreas onde houve perda permanente dos fios. E muitas vezes é associado ao tratamento clínico para preservar os cabelos existentes e garantir resultados mais duradouros e naturais. O planejamento individual é essencial para que o resultado respeite as características de cada paciente”, afirma.

Histórico familiar exige atenção, mas não determina o futuro

Ter pai, mãe ou outros familiares com histórico de calvície é um fator que pode aumentar a predisposição à alopecia androgenética, mas não permite prever sozinho se uma pessoa desenvolverá a condição ou qual será sua intensidade.

Por isso, pessoas com histórico familiar ou que percebam queda persistente, afinamento dos fios ou surgimento de entradas devem buscar avaliação médica.

O diagnóstico precoce permite identificar a causa da queda e ampliar as possibilidades de tratamento, especialmente quando ainda existem fios que podem ser preservados.

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