Redação Plenax – Flavia Andrade
Entre palcos, oficinas e debates sobre ancestralidade e meio ambiente, o grupo Brô MC’s voltou a ganhar destaque nacional ao transformar a música em ferramenta de resistência, educação e defesa dos povos originários. Às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, o coletivo sul-mato-grossense reforçou o protagonismo indígena nas discussões sobre justiça climática, cultura e futuro.
Considerado o primeiro grupo de rap indígena do Brasil, o Brô MC’s participou da programação da Teia Nacional e, em seguida, desembarcou em Belo Horizonte para integrar o evento “Raízes Ancestrais”, realizado nesta quinta-feira (28). O encontro reuniu artistas, lideranças indígenas e negras, além de pensadores ligados às pautas ambientais, culturais e espirituais.
Durante o evento, o grupo recebeu da deputada federal Célia Xakriabá uma homenagem como “Embaixadores do Clima”, reconhecimento concedido a artistas que utilizam a arte como instrumento de conscientização ambiental. Entre os homenageados também estavam nomes como Marina Sena e Renegado.
Para Kelvin Mbaretê, a homenagem simboliza o reconhecimento da luta histórica dos povos indígenas na preservação ambiental.
“Quando falam da questão climática, falam também da nossa existência. Os povos indígenas protegem as florestas há milhares de anos. Nossa tecnologia é ancestral”, destacou.
Antes da agenda em Minas Gerais, o grupo também esteve entre os destaques da 6ª Teia Nacional, realizada entre os dias 19 e 22 de maio. O encontro, considerado um dos maiores eventos culturais do país voltados a pontos e pontões de cultura, voltou a ser realizado após 12 anos sem edições.
Convidado pelo Ministério da Cultura, o Brô MC’s participou da programação principal, levando o rap indígena e as línguas guarani e kaiowá para o centro dos debates sobre cultura contemporânea e diversidade.
Além das apresentações, integrantes do grupo participaram das discussões nacionais sobre hip hop. A produtora cultural Fabi Fernandes e o rapper Bruno Vn atuaram como delegados de Mato Grosso do Sul, defendendo maior reconhecimento ao hip hop indígena e à produção cultural das aldeias.
A troca de experiências também marcou a oficina “ALDEIA RAP”, promovida em Belo Horizonte. A atividade reuniu representantes dos povos Maxakali, Borum, Puri, Marajoara, Guarani e Kaiowá em uma experiência coletiva de criação musical, misturando rimas, batidas e diferentes línguas indígenas.
Segundo CH MC, o hip hop tem sido uma ferramenta importante de transformação dentro das aldeias.
“O rap salvou muitas vidas dentro da aldeia, inclusive a nossa. Hoje mostramos que o indígena também produz tecnologia, arte, pensamento e música”, afirmou.
Encerrando a agenda cultural da semana, o Brô MC’s sobe ao palco neste sábado (30) no evento “GOG Convida Brô MC’s”, dentro da programação da Revoada Cultural, em apresentação gratuita que promete reunir diferentes gerações do hip hop brasileiro.
Com mais de 15 anos de trajetória, o grupo formado por Bruno Veron, Clemerson Batista, Kelvin Mbaretê e CH MC já passou por eventos internacionais como Grammy Latino, G20, Global Citizen e Rock in Rio, consolidando o rap indígena como expressão cultural de resistência, identidade e preservação ambiental.
“O mundo começa a entender que proteger a cultura indígena também é proteger o planeta”, resumiu Kelvin Mbaretê.

