Redação Plenax – Flavia Andrade
Os biossimilares chegaram à marca de 20 anos no mercado mundial consolidando-se como uma das principais ferramentas para ampliar o acesso a tratamentos de alta complexidade e garantir maior sustentabilidade aos sistemas de saúde. No Brasil, o avanço dessa classe terapêutica ocorre em meio ao aumento das doenças crônicas, envelhecimento populacional e crescimento da demanda por terapias biológicas de alto custo.
Produzidos a partir de organismos vivos, os biossimilares possuem qualidade, segurança e eficácia equivalentes aos medicamentos biológicos de referência, mas com custos mais competitivos, o que amplia o acesso de pacientes a tratamentos antes considerados restritos.
O cenário global reforça a importância desse mercado. A expectativa é que, até 2027, a biotecnologia concentre cerca de 35% dos gastos mundiais em saúde, enquanto sete dos dez medicamentos mais vendidos no planeta já pertencem à categoria dos biológicos.
No Brasil, o setor apresentou forte expansão nos últimos anos. Desde a aprovação do primeiro biossimilar, em 2015, o país passou a figurar entre os principais mercados globais da tecnologia, acumulando mais de 60 medicamentos biossimilares aprovados pela Anvisa.
Além disso, dezenas de novas tecnologias seguem em análise regulatória, impulsionando um mercado considerado estratégico tanto para o Sistema Único de Saúde (SUS) quanto para a saúde suplementar.
Embora os medicamentos biológicos representem parcela menor do volume total adquirido pelo SUS, eles concentram uma fatia significativa do orçamento destinado à compra de medicamentos. Nesse contexto, os biossimilares surgem como alternativa relevante para reduzir custos e ampliar o número de pacientes atendidos.
Segundo Isabella Wanderley, presidente da Sandoz Brasil, os biossimilares representam uma transformação estrutural no acesso à inovação em saúde.
“Essas duas décadas mostram que o fim da patente não encerra um ciclo, mas inaugura uma nova fase de acesso para mais pacientes, com qualidade, segurança e sustentabilidade”, afirma.
A Sandoz foi pioneira global no segmento ao lançar, em 2006, o primeiro biossimilar do mundo, desenvolvido a partir da somatropina. Desde então, o mercado avançou impulsionado pela expiração de patentes e pela evolução científica e regulatória.
No Brasil, a companhia atua há quase nove décadas e participa de iniciativas voltadas à ampliação do acesso à saúde por meio de parcerias com o setor público.
Entre elas estão as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), modelo que envolve transferência de tecnologia, produção local de medicamentos e fortalecimento da capacidade nacional de fabricação de tratamentos de alta complexidade.
Na prática, a ampliação do uso de biossimilares tem impacto direto em áreas como oncologia, doenças autoimunes e osteoporose, permitindo maior acesso contínuo aos tratamentos e reduzindo riscos de complicações aos pacientes.
Com duas décadas de consolidação no mercado global, os biossimilares passam a ocupar papel cada vez mais estratégico no equilíbrio entre inovação, acesso e sustentabilidade financeira dos sistemas de saúde.

