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Bioparque Pantanal resgata peixes afetados pela decoada e amplia pesquisas sobre o fenômeno

Foto: Eduardo Coutinho

Redação Plenax

O Bioparque Pantanal realizou o resgate de peixes impactados pelo fenômeno da decoada no Pantanal sul-mato-grossense. A ação ocorreu em fevereiro, durante expedição no Rio Miranda, na região do Passo do Lontra, e mobilizou uma equipe multidisciplinar formada por biólogos, veterinários e zootecnistas.

Considerada um evento natural típico do bioma, a decoada é caracterizada pela queda acentuada dos níveis de oxigênio na água, o que compromete a sobrevivência de diversas espécies aquáticas. De acordo com o biólogo e curador do Bioparque, Heriberto Guimenes Júnior, o fenômeno está associado à decomposição de matéria orgânica.

“Quando o rio extravasa e entra em contato com folhas e galhos, ocorre intensa atividade bacteriana que consome o oxigênio da água, provocando mortandade de peixes, principalmente dos que não conseguem migrar rapidamente”, explica.

Resgate e reabilitação

Diante das condições adversas, a equipe concentrou esforços no resgate de peixes ainda vivos, mas debilitados. Após o transporte, os animais passaram por um protocolo rigoroso de quarentena no Bioparque, com monitoramento clínico e nutricional contínuo.

Entre as espécies resgatadas estão cascudos (Loricaria spp. e Pseudohemiodon spp.) e bagres (Amaralia spp.), considerados mais vulneráveis às alterações ambientais provocadas pela decoada.

Ciência e conservação

A iniciativa também integra um projeto de pesquisa científica voltado à análise dos impactos da decoada sobre a ictiofauna pantaneira. O acompanhamento dos exemplares permite gerar dados importantes sobre a capacidade de sobrevivência das espécies afetadas.

“A reabilitação desses animais possibilita entender melhor a dinâmica do fenômeno e contribui para o desenvolvimento de estratégias de conservação”, destaca o curador.

Os estudos devem resultar em publicações científicas e ampliar o conhecimento sobre o comportamento da fauna aquática diante desse tipo de evento natural.

Para a diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, a ação reforça o papel da instituição como referência em conservação e produção de conhecimento.

A iniciativa, segundo ela, vai além do resgate pontual, ao transformar os animais acolhidos em fonte de aprendizado para o desenvolvimento de soluções mais eficazes na preservação da biodiversidade pantaneira.

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