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Automação transforma armazenagem de grãos e ajuda a reduzir perdas no agronegócio brasileiro

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Com safra recorde estimada em 360 milhões de toneladas, tecnologia em silos amplia eficiência, garante qualidade dos produtos e pode elevar produtividade em até 30%

O Brasil caminha para alcançar mais uma safra histórica de grãos, mas o crescimento da produção continua acompanhado de um antigo desafio: a capacidade de armazenagem. Segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira deve chegar a 360,1 milhões de toneladas no ciclo atual, alta de 2,2% em relação à safra anterior. Porém, a infraestrutura disponível ainda não acompanha esse avanço, tornando a automação uma das principais aliadas para reduzir perdas e aumentar a eficiência no pós-colheita.

Dados do portal Armazéns do Brasil, da Conab, apontam que a capacidade estática de armazenamento no país está em cerca de 228 milhões de toneladas, revelando um déficit estrutural diante do volume produzido. Nesse cenário, além da expansão física dos armazéns, especialistas destacam que a adoção de tecnologias inteligentes nos silos se tornou essencial para otimizar processos e preservar a qualidade dos grãos.

A automação permite controlar com maior precisão etapas como recepção, secagem, movimentação e conservação dos produtos armazenados. Sistemas inteligentes acionam equipamentos apenas quando necessário, reduzem o consumo de energia, diminuem a necessidade de intervenções manuais e ajudam a evitar perdas provocadas por falhas operacionais.

Nos secadores, por exemplo, o controle automatizado de temperatura e umidade garante que os grãos sejam processados dentro dos parâmetros adequados, reduzindo riscos de deterioração e mantendo as características originais do produto.

Tecnologia aumenta eficiência nas cooperativas

No Paraná, a Capal Cooperativa Agroindustrial utiliza sistemas automatizados em diferentes etapas da operação. Segundo Carlos Faria, coordenador de Operações de Grãos da cooperativa, um dos principais avanços está nos secadores.

“Em relação à automação geral das plantas, estamos em constante evolução. Porém, nosso grande diferencial são os secadores de grãos. Neles, possuímos automação completa para o fluxo contínuo, com controle automático da carga, descarga, temperatura e umidade dos grãos, garantindo um padrão rigoroso de secagem sem depender exclusivamente de ajustes manuais”, explica.

Em Goiás, a Cooperativa Comigo também aponta ganhos expressivos após investir em automação. Durante a última colheita, marcada por excesso de chuvas, a cooperativa chegou a movimentar 2 milhões de sacas de soja em um único dia.

Para Paulo Carneiro Junqueira, diretor industrial da instituição, o volume só foi possível graças ao suporte tecnológico.

“A automação agiliza a operação e oferece mais segurança para trabalhar de forma rápida. Ao receber mais rápido, seca mais rápido, guarda mais rápido e conserva melhor. Além disso, ajuda no controle da conservação, termometria e aeração”, afirma.

Segundo dados internos da cooperativa, a modernização dos processos proporcionou aumento de aproximadamente 30% na produtividade. Entre os equipamentos beneficiados estão elevadores, máquinas de limpeza, secadores e sistemas de transporte.

Junqueira explica que a tecnologia permite operar os equipamentos próximos da capacidade máxima com segurança. “Um elevador tem capacidade para 300 toneladas por hora. A automação permite acompanhar se ele está operando em 80% ou 85% da capacidade, evitando que a máquina trave e provoque horas de paralisação e desperdício de produto”, destaca.

Dados em tempo real fortalecem tomada de decisão

Além de aumentar a produtividade, a automação oferece informações estratégicas para os operadores. Para Carlos Faria, da Capal, o acesso aos dados melhora a segurança e reduz perdas.

“Quando proporcionamos aos operadores as melhores condições, com informações e automação para gerenciamento dos turnos, conseguimos reduzir drasticamente as perdas. A tecnologia dá mais autonomia e permite alcançar melhores resultados”, afirma.

Especialistas avaliam que o próximo avanço do setor será a integração cada vez maior com inteligência artificial (IA), permitindo análises em tempo real e decisões mais rápidas durante todo o processo de armazenagem.

“A tendência é termos monitoramento contínuo em todas as etapas, com os pontos críticos identificados e controlados. A IA permitirá que os operadores atuem cada vez mais como gestores de tecnologia, garantindo segurança e precisão”, avalia Faria.

Para Junqueira, da Comigo, o futuro aponta para unidades cada vez mais automatizadas, capazes de ajustar processos de forma independente, como controlar a velocidade de recebimento ou a intensidade da secagem conforme as condições dos grãos.

O avanço, porém, ainda enfrenta desafios relacionados ao custo dos equipamentos. Segundo o executivo, sensores e sistemas de alta precisão ainda representam investimentos elevados para muitas cooperativas.

“Determinadores de umidade mais precisos, por exemplo, podem ultrapassar R$ 100 mil por unidade. Para cooperativas com dezenas de secadores, esse investimento ainda é um desafio”, explica.

Automação será tema de debate no setor

A evolução das tecnologias aplicadas à armazenagem será um dos temas da IX Conferência Brasileira de Pós-Colheita (IX CBP 2026), promovida pela Associação Brasileira de Pós-Colheita (ABRAPOS).

O evento será realizado entre os dias 12 e 14 de agosto, em Carambeí (PR), e contará com a participação de especialistas para discutir soluções voltadas à eficiência, inovação e sustentabilidade na cadeia de grãos.

Com uma produção agrícola cada vez maior, o desafio do Brasil não está apenas em colher mais, mas também em conservar melhor. Nesse cenário, a automação surge como uma ferramenta estratégica para reduzir perdas, aumentar a competitividade e preparar o agronegócio para uma nova era baseada em dados, precisão e inteligência tecnológica.

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