Redação PLenax – Flavia Andrade
Redução na área cultivada contrasta com demanda aquecida por pecuaristas e agricultores, impulsionada pelo ciclo pecuário e pela expansão dos sistemas ILP e ILPF
O mercado brasileiro de sementes forrageiras atravessa um período de atenção. Enquanto a área destinada à produção recuou 46,5% em 2026, passando de 518,2 mil para 277 mil hectares, a demanda permanece aquecida entre pecuaristas e agricultores. O cenário combina desafios climáticos, preocupação com a oferta e maior procura por sementes de qualidade.
Os dados foram compilados pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) e reforçam a necessidade de atenção das empresas do setor para a disponibilidade e a qualidade dos produtos.
Clima aumenta preocupação com a oferta
Entre os fatores que pressionam a produção estão as condições climáticas. O El Niño tem alterado o regime de chuvas e elevado as temperaturas em regiões produtoras de espécies de clima temperado, como o Rio Grande do Sul.
O risco de queda na produtividade dos campos pode exigir que os multiplicadores ampliem as áreas destinadas à produção de sementes para garantir o volume necessário ao mercado. Caso contrário, a redução da oferta pode aumentar o risco de escassez.
Apesar das incertezas, a procura por sementes forrageiras segue aquecida. Segundo Enilson Nogueira, analista e consultor de estudos econômicos da Céleres, o Brasil está na fase ascendente do ciclo pecuário, movimento que deve se manter pelos próximos dois a três anos.
A perspectiva aumenta o interesse dos pecuaristas pela renovação de pastagens e pela aquisição de sementes com maior nível tecnológico.
ILP e ILPF ampliam demanda
Outro fator que contribui para o aquecimento do mercado é a expansão dos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), além do uso de forrageiras como plantas de cobertura durante a entressafra agrícola.
Nesse contexto, a procura por sementes certificadas abre espaço para a manutenção de preços firmes e reforça a importância das empresas produtoras em oferecer portfólios que garantam padrão e desempenho.
Informalidade preocupa produtores
Ao mesmo tempo em que a demanda cresce, a informalidade na comercialização de sementes continua sendo um desafio para o setor. O problema pode comprometer a qualidade das pastagens e dificultar a adoção de novas tecnologias.
“O enfrentamento ao problema ocorre por meio da orientação técnica aos produtores e do avanço de projetos de lei voltados ao fortalecimento da proteção de cultivares e ao combate ao uso de materiais não certificados”, ressalta Nogueira.
Diante de uma oferta mais restrita, o controle de qualidade e a gestão dos estoques ganham importância para as empresas.
Na SOESP, o processo começa antes mesmo da entrada da semente bruta na unidade de beneficiamento. A empresa trabalha com campos de produção registrados e monitorados, mantém controle dos estoques e rejeita lotes que estejam fora dos padrões estabelecidos. As análises são realizadas em laboratório autorizado pelo CGCRE (Coordenação Geral de Acreditação) do Inmetro.
A empresa também adotou testes rápidos em pontos estratégicos da linha de produção para permitir ajustes mais ágeis nos equipamentos e aumentar a homogeneidade dos lotes. A sequência dos produtos utilizados no tratamento das sementes foi revisada, assim como o acompanhamento dos indicadores de desempenho da linha.
Semente certificada reduz riscos no estabelecimento da pastagem
Segundo Thiago Teixeira, engenheiro agrônomo e técnico em sementes da SOESP, empresa sediada em Presidente Prudente (SP), a escolha por sementes certificadas reduz riscos antes mesmo do plantio.
A aquisição de sementes informais ou sem procedência pode levar plantas daninhas, pragas e patógenos para a área, além de apresentar baixa viabilidade fisiológica, germinação deficiente ou presença de impurezas.
Teixeira destaca ainda que o investimento na semente de capim representa uma parcela pequena diante do custo total de formação da pastagem. Problemas no estande podem exigir gastos adicionais com controle de plantas daninhas e ressemeadura, além de atrasar a entrada dos animais na área.
“O critério decisivo não deve ser o preço por quilo, mas sim o peso de mil sementes, tratamento, plantabilidade e o custo por hectare para o estabelecimento eficiente da pastagem”, explica o agrônomo.
Forrageiras também contribuem para conservação do solo
Além do impacto econômico na atividade pecuária, as forrageiras tropicais desempenham papel na conservação ambiental. Em sistemas ILP e ILPF, elas contribuem para estimular a atividade biológica do solo, a reciclagem de nutrientes e a acumulação de matéria orgânica.
A SOESP atua no beneficiamento, comercialização e desenvolvimento de novas tecnologias para sementes forrageiras destinadas à pecuária, à agricultura de baixa emissão de carbono e aos sistemas ILPF.
Com presença em mais de 20 países, a empresa está entre as maiores exportadoras de sementes forrageiras do Brasil.

