Redação Plenax – Flavia Andrade
Projeto Água Vida planta 50 mudas na Fazenda Caiman para ampliar a oferta de alimento e locais de reprodução da espécie
A volta da arara-azul à lista nacional de espécies ameaçadas de extinção, em junho deste ano, reforça a necessidade de iniciativas voltadas à preservação da espécie e de seu habitat. No Pantanal, uma nova ação de plantio busca contribuir para esse trabalho com a criação de mais um Bosque das Araras.
A iniciativa é realizada pelo Projeto Água Vida, do fotógrafo e ambientalista Mario Barila, em parceria com o Instituto Arara Azul, o Zoo de Zurich, a Fazenda Caiman e a Água Guariroba. A ação dá continuidade ao trabalho iniciado em outubro de 2025, com a criação do primeiro Bosque das Araras, em Bonito (MS).
Desta vez, 50 mudas serão plantadas em uma área da Fazenda Caiman. A entrega está prevista para esta quarta-feira (26), a partir das 7h, com a participação de Barila.
Entre as espécies estão árvores frutíferas e silvestres, com destaque para o manduvi, também conhecido como amendoim-de-bugre ou amendoim-de-arara. A árvore tem papel importante para a reprodução da arara-azul, que utiliza cavidades em seu tronco para construir os ninhos.
“O manduvi é fundamental para a preservação da ave. Porém, a quantidade de árvores dessa espécie vem diminuindo com as queimadas e é importante recuperar esse número”, afirma Mario Barila.
As mudas serão doadas pelo Projeto Água Vida e fornecidas pela Chácara Boa Vida, da viveirista Élida Aivi, parceira da iniciativa. O espaço mantém uma área destinada à produção de espécies que servem de alimento e abrigo para as araras, criada a partir de insumos anteriormente doados pelo projeto.
Área é referência para reprodução da espécie
O plantio será realizado próximo à Base de Pesquisas do Instituto Arara Azul. A instituição mantém parceria com a Fazenda Caiman desde 1998, e a região se consolidou como um importante centro de reprodução da arara-azul em ambiente natural.
Esta será a terceira parceria de Mario Barila com o Instituto Arara Azul.
Para Eliza Mense, diretora-executiva do Instituto Arara Azul, a conservação da espécie enfrenta desafios relacionados aos incêndios recorrentes e às mudanças climáticas.
“Com os incêndios recorrentes no Pantanal e os impactos das mudanças climáticas, a arara-azul e seu habitat vêm enfrentando novos desafios. A espécie depende de poucas árvores para fazer seus ninhos, especialmente o manduvi”, explica.
A alimentação da espécie também depende principalmente de frutos do acuri e da bocaiuva. Segundo Eliza, a doação das mudas contribui para a recuperação do ambiente e para a formação do novo bosque.
Ação chega também a território Kadiwéu
A viagem de Mario Barila pelo Pantanal terá ainda uma segunda frente de atuação. O fotógrafo estará na Aldeia Tomázia, no Território Indígena do povo Kadiwéu, onde pretende plantar manduvis e árvores frutíferas características do Pantanal.
Além do plantio, Barila realizará um ensaio fotográfico com integrantes da comunidade e seus cavalos, que serão caracterizados com as tradicionais pinturas de festa.
A escolha do local também busca unir conservação ambiental e benefícios para a comunidade. As árvores frutíferas poderão ser utilizadas pelos moradores, enquanto os manduvis contribuem para a recuperação da vegetação importante para a fauna da região.
As fotografias produzidas durante a viagem serão incorporadas ao trabalho do Projeto Água Vida, que comercializa imagens para financiar ações socioambientais em diferentes biomas brasileiros.
Para Barila, o plantio representa uma maneira direta de recuperar áreas importantes para a fauna.
“Cada árvore plantada é também uma oportunidade de devolver à fauna um pouco do espaço que ela perdeu. Quando se trata da arara-azul, recuperar as árvores que oferecem alimento e locais para seus ninhos é ajudar a preservar todo um ecossistema”, afirma.
Projeto atua desde 2014
Criado em 2014 pelo fotógrafo e ambientalista Mario Barila, o Projeto Água Vida desenvolve ações de preservação ambiental, educação ecológica e resgate da cidadania, tendo a água como um dos principais elementos de suas iniciativas.
O projeto financia suas atividades por meio da comercialização de fotografias e de parcerias, destinando os recursos para ações socioambientais realizadas em diferentes regiões do Brasil.
A nova área de plantio no Pantanal amplia esse trabalho e reforça a importância da recuperação de espécies vegetais fundamentais para a sobrevivência da arara-azul e de outros animais que dependem da vegetação pantaneira.

